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sexta-feira, 8 de junho de 2012

Entrevista - Wesley Zukowisk (Músico e educador)

A entrevista que vou postar hoje é realmente muito boa. Entrevista com Wesley Zukowisk: músico, do violão ao serrote (isto mesmo, serrote), pastor e educador... ele nos fala um pouco de sua vida... suas experiências, sempre nos passando muita sabedoria e sensibilidade... tudo com uma dose de bom humor. Uma parte muito interessante da entrevista, é quando ele nos apresenta alguns instrumentos interessantes e desconhecidos, pelo menos, pra nós, brasileiros. Excelente entrevista. Confira você também!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Entrevista - Crombie

Entrevista - Crombie - Quem ouve com o coração. Na vida abre janelas.




"Entoai-lhe novo cântico, tocai com arte e com alegria". Salmos 33.3


Por Whaner Endo
Voz, violão, baixo e percussão... Instrumentos que nas mãos de um grupo de amigos de Niterói têm gerado poesia e música, com cheiro de Brasil. Finalistas do Festival de Bandas do Jornal do Brasil, o Crombie está, desde 2006 fazendo diferença dentro e fora dos muros da Igreja. Diferença essa que deve ser "percebida nas nossas atitudes, nas nossas reações, no nosso olhar, na forma como nos aproximamos, no que falamos, no que cantamos", como afirmou Paulo Nazareth.
Conheça um pouco mais da amizade entre Felipe, Filipe, Gabriel, Leonardo, Lucas e Paulo, nessa entrevista exclusiva para o Portal Cristianismo Criativo.

1. Conte-me um pouco sobre a história do Crombie. Quando e como ele surgiu? O que significa a palavra Crombie? Qual a formação original?
Paulo Nazareth - O Crombie surgiu em 2006. Nós somos amigos há bastante tempo (todos membros da Igreja Presbiteriana Betânia, em Niterói) e amamos música. Resolvemos por acaso mostrar, entre nós, canções que tínhamos composto. Percebemos, então, que pensávamos parecido e tínhamos gostos semelhantes, além da fé em comum, presente em tudo o que fazemos. Com isso, começamos a tocar juntos pra experimentar nossas idéias.
Quanto ao nome, nós nunca escolhemos "oficialmente" esse nome pra banda. O nome "Crombie" surgiu de uma brincadeira nossa com um amigo e parceiro de caminhada, o Heber Ribeiro, sem o qual não teríamos gravado o nosso 1º CD (porenquanto).
Hoje, quando pensamos em referências que a palavra "Crombie" possa trazer, lembramos logo do testemunho que queremos dar e temos a pretensão de mostrar uma forma mais esperançosa de enxergar a vida, através de nossas "criações". Gostamos de poesia e buscamos um olhar sensível pras questões mais comuns do dia a dia. Vemos isso presente naquilo que compomos.
A nossa formação é a mesma desde o começo: Felipe Vellozo (baixo e vocais), Filipe Costa (violão e guitarra), Gabriel Luz (violão, guitarra e vocais), Leonardo Soares e Lucas Magno (percussões) e Paulo Nazareth (vocal e violão).
2. Qual a formação musical de cada um? Além de música, o que cada um faz?
Paulo Nazareth - Nenhum de nós dedica-se exclusivamente à música. Pelo menos por enquanto. Alguns dão aula de música, mas todos estudam ou são formados e trabalham em áreas diferentes.
3. De todos os instrumentos, a viola caipira é a mais inusitada, ainda mais pra um grupo formado por jovens. Felipe, o que o levou a aprender a tocar viola?
Felipe Vellozo - A viola apareceu de forma inesperada. O Gabriel ganhou uma do tio dele e não sabia tocar, então ela ficou encostada... e às vezes ficava emprestada com alguns amigos. Percebi que estávamos deixando de lado um instrumento que tem um timbre absolutamente lindo e se encaixaria muito bem em nossa proposta sonora. Levei a viola pra casa, peguei uns discos do Renato Teixeira pra ouvir e com duas semanas já estava começando a compor "Sem Vaidade" na viola, fato que eu considerei ser muito bacana...hehe.
4. Qual a influência musical que cada um teve?
Paulo Nazareth – No caso da maioria, a música está presente desde a infância, justamente pelo fato de termos crescido na igreja, ouvindo e assistindo música. Eu, por exemplo, sou filho de cantor e compositor, Josué Rodrigues, sem dúvida alguma minha primeira influência musical. Foi ele quem me apresentou a música que curto até hoje.
Além das influências pessoais, temos todos influência mais forte da MPB. Ouvimos Lenine, Gilberto Gil, Chico Buarque, Los Hermamos, Arthur Maia, e por aí vai. Somos fãs da forma como esses caras se expressam musicalmente. Vendo por aí, não poderíamos deixar de citar também nomes como Gerson Borges, João Alexandre, Josué Rodrigues, Jorge Camargo e Sérgio Pimenta, dentre outros.
5. Dá pra perceber uma grande influência tanto esteticamente quando em relação à poesia que o Los Hermanos tem sobre o grupo. Isso é verdade?
Paulo Nazareth - É verdade. Nós gostamos de ouvi-los. No Crombie, somos quatro compondo. Um de nós especificamente, o Gabriel Luz (violão, guitarra e vocais), traz mais forte essa influência da boa mistura entre Rock e MPB.
6. A natureza/ecologia é um tema recorrente na música de vocês. Por quê?
Paulo Nazareth - Não sabemos por quê. Acontece naturalmente de aparecer naquilo que compomos. Talvez seja um tema pouco falado, de forma geral. Fica aí a sugestão. Poderíamos todos falar mais sobre a Criação.
Léo - Provavelmente, porque vivemos em um lugar privilegiado, com mar, montanhas, florestas facilmente acessíveis e por gostarmos de desfrutar destes lugares com amigos e música.
7. Qual a diferença entre tocar na igreja e fora dela?
Paulo Nazareth - Nós queremos ser úteis pro nosso Deus e às vezes parece que quando tocamos fora da igreja podemos fazer maior diferença na vida de quem nos ouve.
Mas dentro ou fora da igreja, pensamos nas pessoas e no que Deus pode fazer por elas. Desejamos que Deus nos use, como Ele quiser, pra tocá-las e que o nome d´Ele seja glorificado.
Léo - Na igreja estou em casa... fora, me preocupo mais, fico mais tenso.
8. O Cristianismo, como não poderia deixar de ser, tem grande influência na criação do grupo. O que seria diferente se vocês não tivessem esse background cristão?
Paulo Nazareth - Seria tudo diferente. Não dá nem pra imaginar. Não existiria a banda.
9. Paulo, por que você afirmou que o Crombie não pode ser incluído no espectro da música gospel? Como você vê o que tem sido criado em nome da música gospel?
Paulo Nazareth - Hoje o título "gospel" não nos traz, de primeira, uma impressão muito boa. E acreditamos que o que temos feito destoa, no que diz respeito à forma e ao conteúdo de quase tudo o que é classificado hoje como música gospel. Nos preocupamos com muito do que temos ouvido.
10. Um cristão que é músico pode ou deve fazer diferença fora da igreja?
Paulo Nazareth - Achamos que isso não é privilégio dos músicos. Um cristão deve sempre fazer diferença onde ele estiver. Seja qual for a ocupação dele. Essa diferença é percebida nas nossas atitudes, nas nossas reações, no nosso olhar, na forma como nos aproximamos, no que falamos, no que cantamos, etc.
11. Como cada um se vê daqui a uns 10/15 anos?
Paulo Nazareth - Acho difícil fazer essa projeção. As coisas estão mudando rápido demais. Mas acho que nunca deixaremos de estar, de alguma forma, envolvidos com música. No meu caso é uma das coisas que mais me realiza na vida.
12. Se quase tudo é temporal, o que não é mais que um momento?
Paulo Nazareth - Nem tudo é temporal. Existem coisas que não estão sob a ditadura implacável do tempo. A Palavra de Deus e a nossa fé n´Ele são exemplos de coisas que mostram a eternidade, dando o ar da graça e já sendo vivenciada nos dias aqui.
13. Como cada um tem vivenciado a sua fé num mundo de tanta correria e desigualdade?
Léo - Debaixo da graça e da misericórdia Deus.
Lucas - Acredito que essas dificuldades sempre ocorreram, mas de forma diferente ou sem tanta explanação como é feito hoje, quando se dá ênfase às coisas ruins do mundo se esquecendo por completo do amor de Deus que é visto de forma gritante, só que ignorada, em pessoas por todo o canto. Mas acredito também no óbvio, que sem a misericórdia de Deus não vamos a lugar algum, e por isso a nossa dependência e humildade como filhos diante Dele tem que ser constante. Jesus nunca disse que seriam tempos fáceis ou tranqüilos e por isso temos que estar constantemente preparados, de forma ativa e buscando sempre o controle de Deus sobre nossas vidas.
Filipe Costa - Deus tem se mostrado muito cuidadoso comigo e com minha família. E isso renova a minha fé.
14. Será que se vocês não fossem de Niterói, alguma coisa na sonoridade do Crombie seria diferente?
Paulo Nazareth - Niterói é um celeiro de bons músicos e a gente acaba tendo contato mais próximo com alguns deles. Talvez isso faça diferença. Somos bem inexperientes com relação a estar na estrada tocando, mas temos boas referências por perto.
Léo - Na sonoridade, talvez não, mas nas temáticas é provável que sim. Como pensar na música do Gabão (Mar) sem ter em mente a praia de Itacoatiara e sua vista?
Filipe Costa - Acho que seria tudo diferente... concordo com o que Paulo disse... e acho também que cada região tem um cenário musical diferenciado e esse cenário é uma grande influência para nossa sonoridade.
15. Como tem sido a aceitação do "porenquanto"?
Paulo Nazareth - Tem sido legal. Não esperávamos o retorno que temos tido. A maioria das pessoas que ouve nos dáo resposta muito positiva, nos agradece e nos incentiva. Às vezes nos deparamos com críticas construtivas e gostamos muito disso também.
16. Quais os próximos projetos?
Paulo Nazareth - Temos tido a oportunidade de tocar em lugares legais, principalmente no Rio. Isso é mais do que imaginamos inicialmente e nos deixa muito felizes. Por enquanto, estamos por conta do nosso CD, que saiu no começo de 2008 e já pensamos na possibilidade do próximo, ano que vem.
17. O que é Cristianismo Criativo pra vocês?
Lucas - É viver Jesus Cristo de forma simples, assim como é o próprio evangelho; é poder contar sobre Jesus de diferentes formas, sem agressões ou até jargões evangélicos, sendo total dependente da misericórdia, graça e sabedoria d´Ele.
Filipe Costa - Acho que Cristianismo Criativo é também se importar com a forma que usamos pra levar a palavra... produzir algo de qualidade que tenha também um valor artístico, que transmita o que temos pra falar de uma forma agradável.

Fonte: Do site "Cristianismo Criativo"
(Essa entrevista é de 2008. O grupo agora já tem 2 CDs lançados: "Por Enquanto" e "Casa Amarela")





Entrevista - Jaime Kemp


O pastor Jaime Kemp, fundador do ministério Vencedores por Cristo e do ministério Lar Cristão afirmou no Salão Internacional Gospel, que artistas cristãos estão mais preocupados com a glória pessoal que com a glória de Deus.

No evento que expõe artistas e produtos da música gospel, Kemp disse ao The Christian Post que:

 "no panorama atual da música gospel, muitos dos 'artistas' do segmento, querem viajar em aviões e ficar em hotéis de luxo.
Não há sacrifício. Minha preocupação é na questão de sermos servos”, diz, e conclui: “acho que hoje muitos desses artistas pensam que a igreja que os chama são seus servos e não se colocam na posição de servir".
Outro problema que o preocupa é a chamada comercialização do evangelho, comentando sobre os artistas evangélicos que cobram cachês para tocar e priorizam os ganhos financeiros.
Falando especificamente das composições atuais, ele comenta que as letras são muito pobres, não há mensagens sobre itens fundamentais como fidelidade à palavra, arrependimento, entrega total ao senhorio do Cristo.
“Não há esses elementos presentes na moderna música evangélica brasileira”. E se defende, “não faço parte deste movimento pop, cuja tônica é a desorganização e ausência de vida e testemunho cristãos”.
“Realmente não sei se esses jovens que estão hoje nos palcos tem Jesus Cristo como Senhor e Salvador ou se sabem comunicar o evangelho”, enfatiza Kemp.

Vencedores por Cristo
O famoso e ainda hoje muito lembrado conjunto de música evangélica Vencedores por Cristo é considerado um dos precursores da música cristã brasileira.
Segundo o líder cristão, na época da criação do grupo Vencedores por Cristo a música não era o ponto central.
“O ponto central era o discipulado, treinamento e ensino dos jovens. Eles eram ensinados como viver juntos, como dar testemunho, porque parte do ministério era o evangelismo.”
Os critérios para estar no grupo eram, segundo o líder, ser convertido a Cristo, ter um coração de servo e ter o desejo de trabalhar debaixo da estrutura e organização do grupo, além de ser recomendado pelo pastor de sua igreja.
“A idéia era a preparação da juventude para trabalhar na igreja (...) as músicas eram usadas como meio de comunicar e também dar testemunho levando a Palavra de Deus a lugares, os mais diferentes, como igrejas, praças, prisões”.
Por meio do ministério Vencedores por Cristo foi possibilitada a formação de mais de 200 líderes, missionários, pastores e músicos.
Kemp explica que o grupo criado na década de 1970 nunca teve o desejo ou intenção de influenciar a música brasileira.
“Deus direcionou, pois tivemos muitos compositores que foram treinados conosco. A música desenvolvida por eles acabou por transformar a música e o louvor brasileiros”.
Do ministério surgiram proeminentes músicos, hoje muito conhecidos no meio evangélico, como Guilheme Kerr, Nelson Bomilcar, JoãoAlexandre e outros que foram formados nessa época.
O líder disse ainda que teme que os hinos tradicionais da fé cristã se percam, já que eles não são tão populares entre os jovens e nas igrejas atualmente. 

Jaime Kemp e a esposa Judith Kemp, são casados há 47 anos e lideram o ministério voltado à area familiar e são autores de pelos menos 60 títulos literários. O Vencedores por Cristo ainda existe atualmente e seu foco principal é o evangelismo.


Fonte:Christian Post

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Entrevista: Grupo Logos

Expressão de louvor

Para Paulo Cezar do grupo Logos, a música cristã não pode abrir mão do conteúdo bíblico.


"Estamos conscientes de que, quando a performance ofusca o brilho do conteúdo, resultados superficiais são colhidos."



Expressão de louvor

Por Carlos Fernandes
O título desta entrevista é o mesmo de uma das canções mais conhecidas do grupo Logos. Mas também sintetiza parte importante da vida do pastor, cantor e compositor Paulo Cezar da Silva. Aos 60 anos de idade e com mais de 
trinta de carreira – ou, conforme ele mesmo define, ministério –, Paulo é dos nomes mais conhecidos da música evangélica brasileira, de cuja evolução participa desde os anos 70. Foi naquela época que, ainda aluno do seminário Palavra da Vida, em São Paulo, formou um conjunto musical, já com a presença de Nilma, com quem acabou se casando. A iniciativa entre amigos deu origem, em 1979, ao grupo Elo, que marcou uma geração de crentes. Alguns de seus álbuns, como Calmo, sereno e tranquilo e Ouvi dizer, viraram clássicos, e Paulo Cezar, com sua poesia, uma referência.
A trágica morte do talentoso instrumentista Jayro Gonçalves, o Jayrinho, acarretou o fim do Elo. Mas Paulo quis seguir adiante. “Fui buscar consolo e inspiração na Bíblia”, conta. E foi das Escrituras que surgiu a ideia para batizar o novo grupo. “O nome foi escolhido por significar a palavra viva e por ter tudo a ver com nosso ministério, onde a Bíblia tem centralidade absoluta”, diz o artista. Com o Logos, Paulo Cezar legou ao público cristão 17 álbuns e pérolas como as canções Mão no arado, Portas abertas eAutor da minha fé. Compositor da maioria das músicas do grupo, o artista defende um louvor com conteúdo – coisa que, segundo ele, já não é prioridade. “A falta de conhecimento bíblico e os interesses comerciais estão na base da superficialidade”, resume.
Apesar da já longa jornada, o Logos não está parado no tempo. Com uma formação que vem se renovando ao longo dos anos, o grupo é a base de um ministério evangelístico cuja sede fica em São José dos Campos (SP). O Logos faz pelo menos três grandes viagens por ano, levando não apenas louvor musical, mas evangelismo, edificação espiritual e encorajamento às igrejas. Em janeiro, o Logos esteve na África, em ação missionária. Nesta entrevista a CRISTIANISMO HOJE, Paulo Cezar permitiu-se falar de coração aberto sobre o que pensa acerca da indústria musical, do próprio ministério e da Igreja. E não escondeu: “Sonho com bons músicos, crentes de verdade, que rendam seus talentos ao Senhor e testemunhem com suas vidas o caráter de verdadeiros adoradores.”

CRISTIANISMO HOJE – Você é um dos nomes mais conhecidos da música cristã brasileira, tendo acompanhado de perto sua evolução nos últimos 30 anos. O que mudou para melhor e para pior ao longo desse tempo?
PAULO CEZAR – Para melhor, acho que mudou a qualidade técnica. A evolução dos músicos, dos estúdios, dos instrumentos e do som é perceptível. As chances de alguém gravar e fazer um bom trabalho, hoje, são muito maiores do que antes. O que mudou para pior, com algumas exceções, foi o conteúdo, tanto do que se produz como do objetivo com que se canta. Atualmente, a chamada música evangélica, ou “gospel”, está sendo atacada de todos os lados. O mundanismo tomou o lugar da contextualização. Além disso, vemos a repetição de muitos jargões, palavras de ordem e mensagens de prosperidade.

Por que a música evangélica de hoje carece de conteúdo?
As músicas e tais tendências nos conduzem a nomes, mas eu não quero, de modo algum, reconhecer ou classificar adoradores. Afinal, se Deus os procura, quem sou eu para achá-los? Mas creio que as letras são escritas de acordo com várias influências. O conhecimento é um desses aspectos, e é importantíssimo. Ninguém, mesmo que queira, poderá escrever sobre o que não sabe. A falta de conhecimento ressalta a superficialidade e o apelo emocional. Em outras palavras, um compositor ou pregador superficial ficará contente diante de pessoas chorando no altar ou mãos erguidas no auditório – mesmo que os ouvintes não sejam salvos ou que seu caráter não seja mudado nos dias que se seguem. Outro aspecto é a razão. Responder conscientemente ao motivo pelo que se compõe é determinante para quem o faz. E isso é que faz toda a diferença!

Mas essa contextualização é boa ou não?
Acredito que essa tal contextualização tem levado compositores, escritores e pregadores a compor, escrever e dizer o que seus “clientes” gostam, e não o que precisam. Eles não percebem que, agindo assim, perdem a inspiração divina e a própria criatividade.

Ainda existe espaço para grupos de louvor com visão missionária, como Logos e Vencedores por Cristo?
Com toda certeza, ainda existe sim. O Senhor nos tem aberto portas em muitas denominações. Fazemos três grandes viagens todo ano, cada uma com duração de dois meses e meio, nas quais visitamos as igrejas diariamente. Nosso trabalho é evangelístico – e o que queremos é anunciar o Evangelho de forma séria, através de boa música e de mensagens claras e objetivas.

Como foi a viagem à África e como você avalia a realidade espiritual de lá?
Fomos convidados a participar de uma conferência para missionários brasileiros em Dakar, no Senegal. Resolvemos aproveitar a oportunidade para visitar também Guiné Bissau. Nos dois países, estivemos em igrejas, escolas e agências missionárias.  Os missionários brasileiros que atuam lá choraram ao ouvir as músicas que foram usadas por Deus no seu próprio chamado ou em momentos marcantes de seu ministério. A rea­lidade espiritual é a de um povo oprimido pela religiosidade. A tradição familiar é muito forte; ela tira a individualidade das pessoas, tornando muito difícil a absorção do Evangelho. Afinal, a Palavra de Deus apresenta uma nova tomada de posição espiritual. E uma mudança religiosa significa rompimento direto, não só com a religião predominante, mas, sobretudo, com a própria família.

O que você e o ministério Logos têm feito no sentido de dar contemporaneidade ao seu trabalho, evitando parar no tempo?
Bem, emprimeiro lugar, temos seguido o exemplo da Bíblia, nunca mudando a essência do que fomos chamados a ser e a fazer. Temos também procurado usar os instrumentos modernos em nossa música. Ao dizer isso refiro-me tanto aos instrumentos que são pessoas, quanto aos instrumentos que são coisas; porém, sempre tomando o cuidado de não permitir que um ou outro assuma o centro das atenções. Estamos conscientes de que, quando a performance ofusca o brilho do conteúdo, só resultados superficiais são colhidos.

Quais são os artistas que hoje atuam e que chamam sua atenção positivamente pela postura e pelo ministério?
Há vários adoradores no meio artístico. Eu prefiro não citar nomes para evitar injustiças, mas resumo minha resposta afirmando que os que chamam a minha atenção são aqueles que têm um compromisso verdadeiro com o Senhor e fazem de suas vidas a maior expressão daquilo que pregam.

É correto alguém dizer que a música é um ministério? Qual seria a base b´blica para tal afirmação?
Vivemos dias em que as nomenclaturas fazem parte de um complexo esquema organizacional. Não creio que isso, em si, seja mau. E é verdade que cada crente tem que achar o seu lugar funcional na obra. Mas a incompreensão do uso de um ministério pode trazer orgulho ou desajuste na função de alguns. A Palavra de Deus nos ensina sobre dons, serviços e ministérios. Entendo que existe aí uma sequência lógica, onde o dom é a capacidade espiritual que o Senhor dá a cada um, segundo o seu propósito, como, por exemplo, a misericórdia. Já o serviço é o meio pelo qual aquele dom é manifesto, como o diaconato. E o ministério é o que é executado no final dessa sequência. Quando isso é entendido, os ministérios voltam ao seu lugar de trabalho, perdendo a característica perigosa de ostentação.

E quando esse entendimento é jogado para escanteio em nome do mercado?
Se eu não tivesse certeza de que este veículo de comunicação circula na Igreja, pularia esta pergunta. Testemunhar de coisas que não são boas não me traz alegria. Acho que as coisas ruins que eu tenho testemunhado são frutos de falsas conversões e de distorções daquilo que alguns chamam de “ministério”: A ganância por posição, popularidade, fama e dinheiro é absolutamente antagônicos ao caráter do Reino de Deus e em momento algum reflete o ministério daquele em quem nos espelhamos, Jesus. Quando sei dos valores que alguns “homens de Deus” cobram para fazer algo “em nome de Jesus,” sinto-me enojado. Não fora minha consciência de ministério, eu me sentiria ultrajado como servo. Mas isso também não me surpreende; a Bíblia está repleta de admoestações relativas a esse tipo de pessoas. Muitos se escandalizam por um político que esconde dinheiro nas meias, não é? Pois isso é muito pouco diante de “servos” que o escondem no coração.

Com a decadência da indústria fonográfica gospel, qual o panorama que se desenha para o futuro? As grandes gravadoras e grupos do segmento estão com os dias contados?
Depende. Acho que, pela ordem natural das coisas, tanto a indústria como o comércio fonográfico terão que fazer adaptações severas. Alguns conseguirão sobreviver; outros, não. O uso da tecnologia moderna é um fator básico do desenvolvimento. As indústrias correrão sempre nessa direção e farão as adaptações necessárias para driblar a crise, abrindo assim um novo cenário. Creio ainda que, diante do mercado paralelo crescente – a pirataria – e com o advento da internet, os valores e condições de pagamento dos produtos dessa indústria se ajustarão a um modo cada vez mais pessoal, fácil e ágil, que satisfaça perfeitamente ao cliente. Isso acabará resultando em maior consumo.

Você tem uma postura crítica em relação à apropriação comercial da música evangélica, particularmente por parte das grandes gravadoras do segmento?
Não sou contrário a essa apropriação da música em si, porque os direitos de um contrato são mantidos por lei. Minhas críticas são por outros motivos. Tenho certeza de que a parte comercial de uma gravadora – evangélica ou não – sempre dará prioridade ao lucro. É o lucro que a fará conquistar o mercado, e por causa disso a visão ministerial, ainda que exista, será considerada em um plano inferior. Não vejo problema em que se venda a Bíblia no bar da esquina. Ora, qualquer um pode vender o que quiser; a diferença, para mim, está só na razão pela qual se faz isso. E é aqui que eu vejo o problema mais sério, quando o conteúdo de uma música realmente cristã não é o produto desejado para ser difundido pelas gravadoras chamadas evangélicas. Vale qualquer coisa, desde que resulte em grana!  Então eu pergunto: Onde está a visão do Reino nesse negócio?

O Logos teve uma passagem pela Line Records, gravadora ligada à Igreja Universal do Reino de Deus. O que representou para você aquela experiência?
Quanto à Line Records, sempre tive e tenho por ela profundo respeito. Nunca o Logos foi destratado ali e não há nada pendente em relação ao contrato que fizemos, que foi de distribuição. Tanto, que a previsão do contrato era de dois anos, mas nossa relação perdurou por mais quatro anos além do que foi assinado. Aqui, preciso ressaltar que, embora pessoalmente, discorde de certas práticas e costumes da Igreja Universal – algo, aliás, nunca escondido e respeitado em nosso relacionamento –, reconheço que eles foram sérios conosco, e somos gratos por isso. 

Se uma grande gravadora propusesse hoje ao Logos um contrato vantajoso, qual seria sua resposta?
Olha, se uma gravadora vir o Logos como um grupo sério e maduro, que goza de respeito e aceitação por parte de várias denominações em todo país, não haverá impedimentos para uma aproximação. Temos princípios, mas nunca estamos fechados a contratos se a visão do contratante for de fato, ministerial, independentemente da competitividade artística do momento.

Como está a situação do ministério em termos de viabilidade financeira?
Bem, somos uma missão, e realmente sem fins lucrativos. Isso significa que sempre estamos com nossas contas em dia e nunca temos recursos antes de projetos. Funciona assim: temos projetos antes de recursos. Mas não estranho isso; acho que é coisa de Jesus, mesmo... Aprendemos com ele a ver pães e peixes serem multiplicados. Então, quando saímos, fazemo-lo como trabalhadores que o representam, e não como artistas e empresários.

Como é o seu processo de composição?
Eu componho após pensar: pensar na minha própria vida, na vida das pessoas, nas necessidades; e sempre trago essas coisas diante da Palavra de Deus, que me diz o que fazer, ou como ir adiante. Evidentemente que os talentos natos vindos do Senhor afloram e a excelência de quem quer adorar não permite a futilidade. Sei que, se eu for superficial e não verdadeiro, os resultados do que estou compondo serão também assim.

É dif´cil conciliar essa busca por autenticidade com a necessidade de vender CDs?
Veja, o comércio não é pecaminoso, como também o dinheiro não é. O que faço com ele é o que me diferencia. Não componho para ganhar dinheiro, mas sei que vender os trabalhos é o modo de fazê-los chegar a quem preciso atingir. Sabemos que o trabalhador é digno de seu salário. Não é pecado ser bem remunerado. As pessoas pagam entradas para assistir jogos de futebol, peças de teatro e filmes no cinema. Nada mais justo do que remunerar o artista segundo a arrecadação que ele mesmo produz. Mas fazer missões é outra coisa!

Na sua opinião, é lícito ao músico cristão tocar profissionalmente fora da igreja? Isso não seria desvirtuar o talento dado por Deus?
Vamos por partes. Primeiro, é preciso compreender que a música é um talento, e não um dom espiritual. Como talento, ela não é santa em si mesma. Há coisas lindas compostas por artistas descrentes. Depois, é preciso pensar que a música é também uma profissão artística reconhecida em todo mundo; portanto, qualquer pessoa que tenha esse talento pode exercer essa profissão, sendo crente ou não. Há, entretanto duas grandes observações aqui. A primeira é que o músico crente, como qualquer outro profissional que conhece Jesus, tem que ter a sua vida santificada ao Senhor. Isso implica no seu testemunho comum de crente e na santificação de seu caráter de forma geral. Então, se ele cantava palavrões ou obscenidades quando não era crente, agora, com Cristo, terá de mudar essas coisas. A outra observação tem mais a ver com o chamado ministerial, e creio ser este o ponto mais importante. Se um músico, após a sua conversão, receber de Deus um chamado de dedicação total à obra e atendê-lo, então, também como qualquer outro profissional, estará à disposição do Senhor para servi-lo e por ele ser sustentado, não mais como um artista lá fora, mas como um servo no lugar onde estiver servindo.

É cada vez mais comum músicos populares no segmento secular dizerem-se convertidos ao Evangelho, logo engatando uma carreira art´stica entre os crentes. Qual o resultado disso?
Se forem verdadeiramente convertidos pelo Espírito Santo, e, como consequência disso, deixarem-se discipular como qualquer outro pecador rendido ao senhorio de Cristo, poderão ser usados pelo Senhor, a despeito do que foram ou fizeram. Se assim não for, será simplesmente uma troca de posicionamento profissional.

Por outro lado, gravadoras seculares andam de olho e até contratando nomes mais expressivos do gospel nacional. Como um músico evangélico deve se comportar diante de uma proposta como essa?
Para qualquer músico eu diria que, caso a proposta seja boa, agarre-a com todas as suas forças. Mas, se o músico em questão for um crente verdadeiro, ele deve saber aproveitar a oportunidade, mas nunca negociando seus reais valores.

Sem uma igreja ou ministério provendo sustento, e sem pagar “jabá”, o grupo Logos ainda toca em rádios?
Acho que sim. Deus é fiel, não é? Ele nos deixaria viver para pregar para paredes? Acho que não! Então, nossa música será ouvida até que ele queira, mesmo que já não estejamos mais aqui.

Autor da minha fé é uma das composições mais conhecidas de seu repertório. A letra fala sobre a segunda vinda de Cristo, tema meio esquecido ultimamente. Você acha que a música evangélica no Brasil perdeu seu papel profético?
Não posso generalizar o que acontece nos púlpitos, até porque, devido ao trabalho de viagens evangelísticas, estou mais tempo pregando do que ouvindo pregações. Mas, com certeza, reconheço que o assunto não figura entre os temas mais abordados.

Como você vê a formação musical nas igrejas e nos seminários?
Há várias igrejas que estão trabalhando isso. Conheço também algumas escolas voltadas nessa direção. No seminário onde estudei, embora não se tenha, especificamente, ensinado sobre os temas louvor e adoração, recebi as bases para ser um verdadeiro adorador.  E é isso que, desde então, tenho procurando ser. Mas o que tenho constatado é que a dificuldade maior hoje não está em treinar musicalmente os alunos, capacitando-os e ensinando-lhes posturas de um ministro de louvor. O problema é quais são seus modelos. Certamente, o que esses alunos considerariam como referência seriam aqueles que estão na mídia, fazendo shows. Eles desejariam imitar seus gestos, seus jargões, seu tipo de música e até suas roupas.  Assim, se tivéssemos que prepará-los de acordo com a modernidade do ministério, teríamos que ensinar-lhes matérias como presença de palco, expressão corporal, vestuário artístico e um vocabulário de palavras de ordem, além de estimulá-los a moldar suas músicas ao que está “rolando” hoje. Mas é disso que a Igreja está precisando ou é isso que a está afastando cada vez mais do genuíno papel da música evangélica?

Você já disse em várias ocasiões que é contra a cobrança de cachês por cantores evangélicos. Como o ministério Logos se sustenta financeiramente?
O Logos nunca cobrou cachê, e por princípio nunca o fará. Em todos esses anos de trabalho, sempre usamos o bom senso para termos as necessidades da missão supridas, sem colocar uma corda no pescoço de ninguém. Todos os pastores que nos conhecem, no Brasil ou fora dele, recebem o Logos com confiança. O que praticamos é uma taxa chamada de manutenção que qualquer igreja pode absorver. Ela cobre gastos com as viagens, que fazemos a bordo do nosso ônibus, com toda a equipe e equipamentos, aos lugares mais remotos do país.

O que você acha que deve acontecer com a música evangélica brasileira daqui para a frente?
Não quero responder com pensamentos previsíveis, mas com desejos de alma. Eu sonho com uma música diversificada em estilos e mensagens, que atenda as reais necessidades das igrejas. Sonho com bons músicos, crentes de verdade, que rendam seus talentos ao Senhor e testemunhem com suas vidas o caráter de verdadeiros adoradores. E, finalizando, sonho com uma Igreja que permaneça fiel diante dos modismos sufocantes da falsa contextualização.

Entrevista do Site: Cristianismo Hoje