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terça-feira, 10 de março de 2015


"Pra nada pode a gente aproveitar
Orar, cantar, louvar com devoção...
Se isso não se faz acompanhar
De amor a quem está só ou na opressão.
É coisa que não dá pra dividir:
O amor a Deus e a quem está junto a nós.
A prova de um é o outro...
E o tempo já chegou...
do amor de Cristo em nós se refletir!"

segunda-feira, 9 de março de 2015





"Saber a calma para ir.

Perder a pressa para estar.
Perder o verbo para si.
Saber o sonho para lá.
Ouvir a rima para dor.
Cantar a nota para o céu.
Achar a forma para a flor.
Naturalmente para Deus."




sábado, 7 de março de 2015

A música popular perdeu o tom




Nos últimos dias de sua vida, Tom Jobim pedia a sua irmã Helena para que lesse o Salmo 23, aquele do “O Senhor é meu pastor e nada me faltará...”. Olhando a obra musical de Tom, o que não falta é música que parece ter a centelha da arte mais divina.

Sua combinação de melodia enganosamente simples com harmonização rigorosamente complexa trouxe à música popular brasileira um sabor diferente, um jeito diferente, uma nova bossa.

Até o advento de “Ai seu eu te pego”, hit do Michel Teló, a canção brasileira mais conhecida no exterior era “Garota de Ipanema”. Assobie essa canção e perceba como a melodia sobe e desce sem esforço, como o desenho de ondas. Pode ter sido um achado genial involuntário, mas vindo de Tom, quem pode duvidar de que o balanço do mar e da garota que passa foram inscritos delicadamente na melodia sinuosa?

E a melodia de “Desafinado”, difícil e bela como a harmonia? E "Corcovado", em que a melancolia inicial de “Um cantinho, um violão” que deságua na alegria contida de “Ao encontrar você eu conheci o que é felicidade, meu amor”? E o encanto da repetição de letra, melodia e harmonia de “Águas de Março”?

No princípio, era “Chega de Saudade”. E a saudade se fez letra e música. As duas estrofes iniciais, uma queixa do amor distante, estão na tonalidade de Ré menor. No refrão, que promete o aconchego, a conjunção dos amores, a tonalidade passa para Ré Maior.

O clichê musical que associa tonalidade menor à tristeza e a maior à alegria ganhava, lá em 1958, uma obra-prima. Tudo feito com discrição e sofisticação. Afinal, isso é bossa nova, isso é muito natural.

Em Tom, o simples nunca é óbvio. Por causa da harmonização requintada, o simples ficava elegante. O “Samba de uma nota só” é o retrato em branco e preto do gênio jobiniano.

“Eis aqui esse sambinha feito numa nota só”, começa a canção, essa parte sendo cantada, de fato, repetindo-se a mesma nota. A letra avisa: “Outras notas vão entrar, mas a base é uma só”, e isso vai se confirmando musicalmente.

Lá na frente, a letra diz: “Já me utilizei de toda a escala e no final não sobrou nada”.  Isso é cantado num passeio por diversas notas, subindo e descendo, até que se canta:

“E voltei pra minha nota, como eu volto pra você”, voltando-se à nota repetida do início.

Quando analiso com os estudantes essa canção nas aulas de História da Música Brasileira, nossa percepção é a mesma: a carpintaria genial de Tom se camufla de simplicidade.

Mas há também um outro Tom Jobim, o compositor do formidável “Urubu”, disco-síntese de sua obra musical com canções sobre seus temas principais (a natureza, o afeto, a mulher) e belas peças orquestrais. Nesse álbum, o popular parece erudito e o erudito tem acesso popular.



Tom foi daqueles compositores que souberam fundir os elementos da matriz musical brasileira com os caracteres da musicalidade que chegava do exterior. Em Tom, o deslocamento da acentuação rítmica no compasso (a síncope) achava uma melodia tão cheia de curvas como a arquitetura feminina de Niemeyer.

A sedução melódica de Tom encontrou nos versos afetuosos de Vinicius de Moraes o casamento ideal. Eles estavam mais interessados na felicidade do amor presente do que em cantar o amor que se foi. Não por acaso, eles geraram “Chega de Saudade”.

Em Tom, o Brasil ficava ainda mais bonito. Mas já passaram 20 anos de sua morte e a música brasileira atualmente mais conhecida no mundo mostra que a moda é o funknejo de uma onamatopeia só [ou, pra quem entender, de uma progressão harmônica só: VIm – IV – I – V) .

Harmonia simplificada, letra despoetizada, a natureza desencantada, o amor vulgarizado. Saímos do tom!



Por  Joêzer   ( Músico, Professor na PUC PR e autor do Livro: "Música e Religião na Era do Pop" - Ed. Appris) 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015




Terra em Transe - Gladir Cabral





Se era pra matar,
Por que deram os nomes aos bichos?
Se era pra cortar,
Por que tanto estudaram as plantas?

Se era pra revirar a terra
E cimentar o campo
Empacotar o vento
Plastificar o encanto

Se era pra morrer
De cansaço na beira do asfalto,
Se era pra esquecer
A beleza da água no salto,

Se era pra derramar o vinho
E semear o pranto
Emudecer o pinho
E sufocar o canto

Se era pra perder
Por que foram buscar a esperança?
Se era pra correr
Por que foi que chamaram pra dança?

Se era pra desejar o muito
E usufruir o pouco,
Acalentar o intento
E acabar tão inerte e louco

Se era pra não ser
E evitar a questão do poeta
Se era só pra ter
E virar um produto em oferta

Se era pra ver a Terra em transe
A calçada cobrindo o mangue
A mata vazando sangue
E a cobiça fazendo a festa

Não é para responder
É apenas para se repensar
E quem sabe recomeçar
Replantar / Refazer

Terra em Transe - ( de Gladir Cabral, na voz de Airô Barros)




Se era pra matar,
Por que deram os nomes aos bichos?
Se era pra cortar,
Por que tanto estudaram as plantas?

Se era pra revirar a terra
E cimentar o campo
Empacotar o vento
Plastificar o encanto

Se era pra morrer
De cansaço na beira do asfalto,
Se era pra esquecer
A beleza da água no salto,

Se era pra derramar o vinho
E semear o pranto
Emudecer o pinho
E sufocar o canto

Se era pra perder
Por que foram buscar a esperança?
Se era pra correr
Por que foi que chamaram pra dança?

Se era pra desejar o muito
E usufruir o pouco,
Acalentar o intento
E acabar tão inerte e louco

Se era pra não ser
E evitar a questão do poeta
Se era só pra ter
E virar um produto em oferta

Se era pra ver a Terra em transe
A calçada cobrindo o mangue
A mata vazando sangue
E a cobiça fazendo a festa

Não é para responder
É apenas para se repensar
E quem sabe recomeçar
Replantar / Refazer







Acorda cedo com a luz da alvorada,
Pega na enxada e vai depressa trabalhar;
E na estrada ouve a voz da passarada,
Da folia e da zuada que desperta o dia;

E neste ar fresco que agora ele respira
Lembra bem que tudo gira pelas mãos do Criador;
Ora em silêncio, pensa nos problemas seus,
E no silêncio pede ao Deus que desperta o dia.

Numa toada fora de moda,
Numa viola, seu desabafo,
Um louvor a Deus, o seu amigo
Que desperta o dia e com amor sacia;

Louvando a Deus puxando a enxada,
Olhando a luz da alvorada,
Ouvindo o canto da passarada,
Marcou encontro com seu bem querer.

Você do campo ou da cidade,
Seja idoso, ou na flor da idade,
Marque um encontro, não fuja da verdade,
Sem Jesus Cristo não dá pra viver;

Sem Ele o galo canta atrasado,
Passarim pia desafinado,
O colorido parece acinzentado
E o coração fica sempre amargurado.



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015





Penso que não habitas mais
Em templos feitos por minhas mãos
Penso que agora estás nas catedrais do coração
Certo é que assentado estás à mão direita de Adonai
És Deus de Abraão, acima da religião
És Deus…
De uma ordem superior,
Sumo sacerdote eternamente
Jurou e não se arrependerá,
Assim te chamarás, quem diz é Deus, o Pai
Hoje é tempo de pensar,
Estamos tão longe de aceitar…
Do ramo de Judá,
O carpinteiro era Deus.