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quinta-feira, 30 de abril de 2015




...os olhos já não podem ver...
coisas que só o coração...
pode entender...

Tom Jobim

O Anjo




Ele não é um ser alado ou mítico, 
antes é feito de afetos, carne, ossos e sangue;
Ele está onde nosso amor fracassa,
fazendo-nos repensar nosso egoísmo...

As suas asas são suas mãos estendidas,
para a nossa generosidade esquecida;
Nós é que libertos voamos mansamente,
com as asas dessa bondade experimentada....

Eles nascem quando a bondade floresce 
na alma humana transformada pela generosidade;
Estão entre nós o tempo todo sem que o saibamos,
nos auxiliando no silêncio de sua terna simplicidade...

Permitas tu ser um anjo real e verdadeiro
para os pobres que te imploram auxílio;
Deixe nascer em tuas costas as faces da bondade,
pois elas são as asas que te farão voar, amar...

Professor Washington de A. Neto

sábado, 4 de abril de 2015

E se...


E se eu desistir de lutar
E me entregar ao sofrimento
Viver os meus dias a chorar
Remoer esse tormento

E se o barco afundar comigo
As águas rirão da minha fraqueza
Não recuso um ombro amigo
Ai de mim, na correnteza

E se todos cansarem de mim
Não haverá choque maior
E se continuar assim...
Sozinho, será ainda pior

E se eu aproveitar o sol lá fora
Para acabar de vez com essa dor
Vou erguer a cabeça agora
E voltar a sorrir sem pudor

Ygo Maia


Outras poesias, reflexões e resenhas de Ygo Maia, você encontra em: 


terça-feira, 17 de março de 2015




Se você está na chuva, é para se molhar mesmo! 
É para sentir de fato, para viver de verdade, para existir sem qualquer entrave...
É triste estar sempre pela metade...
Molhando só o pé, receoso de tudo.
É lamentável ser incapaz de se entregar...
É pura perda de tempo passar apressado pelos dias...
Com uma sede de fim, uma impaciência, um desassossego que te impede de saborear as horas...
Está na chuva?
Pois se molhe, se purifique, sinta-se ungir por inteiro, seja um, com ela...
E com tudo que realmente importe!
Um consigo mesmo...
Pois há tantos desconectados até de si...
Um, com seus afetos...
Um, com a terra, e tudo que dela brota...
Um, com o universo!
Está na chuva?
Pois a bendiga...e a desfrute...e a respeite!
Pois assim, receberás o mesmo.
É agraciado e pleno...
Todo aquele que está disposto a encontrar graça no simples.
Todo aquele que compreende e deseja...
A ventura de banhar-se por inteiro...
De vida!~

Gi Stadnicki

Poemas




Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.

Quando fechas o livro, eles alçam voo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…

Mário Quintana

terça-feira, 10 de março de 2015

Parábola da Vida




A vida da gente é semelhante a uma casa no campo.
Rodeada de cores naturais pintadas sem pincel.
O campo é a Vida de tudo o que vive, mas a casa, uma dádiva de Deus que nós construímos incrustada no meio de tudo o que vive.

Nela cultivamos um jardim. Sem intenções de capitalizar. Não o fazemos por ser terapêutico, por exemplo, mas fazemos porque na imitação do Criador que fez o Grande Jardim em que todos vivem, também queremos produzir o belo e o bom.
Rodeamo-lo de uma pequena cerca, cujo objetivo é apenas proteger para que os animais não o destruam. Por isso não fazemos um muro. Não queremos nossa casa e nem o nosso jardim isolado, distante, mas participante.

Todas as manhãs, antes de irmos trabalhar o jardim, abrimos as janelas da casa. Queremos que a brisa que revigora a vida lá fora areje a vida aqui dentro. Deixamos as janelas abertas e assim aqui de dentro vemos tudo lá fora, e lá fora participa de tudo aqui dentro. Apesar da casa e do jardim serem obras nossas, tudo se integra. Tudo se torna vida.

É verdade que quando plantamos nosso jardim nem tudo é comestível, existem plantas que apesar de bonitas podem até serem venenosas. Mas assim é a vida. Ambígua, dependentes de contextos para avaliarmos se é bom ou ruim, amargo ou doce.

A casa é nossa vida, o jardim nossos atos, as janelas nossas orações e a brisa é o vento do Espírito que renova.

Interessante que ao abrirmos as janelas nos integremos com toda a realidade de fora, nossa vida lida com o real. Vemos os pássaros, as flores, os insetos, o tempo bom ou o tempo sombrio. Mas jamais deixamos de perceber a vida como ela é.

Quando as janelas estão abertas pode entrar em casa um beija-flor. Um beija-flor lá fora no jardim ou no campo é tão natural que quem mora no mato nem se deslumbra. Mas mesmo para aqueles acostumados a vê-los, quando entram em casa causam espanto, admiração, êxtase. Esta visita inesperada daquilo que é natural, podemos considerar como os milagres. As visitações de Deus. Não é algo de outro mundo, nem miraculoso por si mesmo, mas o inusitado nos faz perceber a maravilha da vida do mundo invadindo a nossa vida. Sinaliza-nos que o Deus presente e atuante no mundo é presente em nós.
Ninguém abre as janelas para entrar pássaros e nem faz de sua casa uma gaiola para pássaros, mas apenas abre-as para integração.

A casa é nossa vida, o jardim nossos atos, as janelas nossas orações, a brisa o Espírito, e o beija-flor o milagre.
Nada programado, tudo construído, tudo integrado: o mundo, nossa vida e Deus.

Bem aventurados os que fazem o bem, cultivam o belo e oram não para alcançarem benefícios, mas para fazerem de suas vidas, uma vida que vale a pena ser vivida.

Eliel Batista







"Vale a pena esperar, contra toda a esperança,
o cumprimento da Promessa que Deus fez a nossos
pais no deserto. Até lá, o sol com chuva, o arco-íris,
o esforço de amor, o maná em pequeninas rodelas,
tornam boa a vida. A vida rui? A vida rola mas não cai.
A vida é boa."

Adélia Prado







Tava indo rápido de mais na vida...resolvi tirar o pé e apreciar as coisas ternas e pequenas, descobri ser mais encantadoras! Quer saber? Conto na próxima poesia!
Alex  Faria


Imperativos


Seja triste, nunca amargo.
Seja introspectivo, jamais solitário.
Seja crítico, nunca azedo.
Seja cético, jamais cínico.
Seja complicado, nunca intolerável.
Seja sincero, jamais inconveniente.
Seja veemente, nunca agressivo.
Seja alegre, jamais leviano.
Seja grave, nunca iracundo.


Por  Ricardo Gondim

segunda-feira, 9 de março de 2015





"Saber a calma para ir.

Perder a pressa para estar.
Perder o verbo para si.
Saber o sonho para lá.
Ouvir a rima para dor.
Cantar a nota para o céu.
Achar a forma para a flor.
Naturalmente para Deus."




sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Terra em Transe - Gladir Cabral





Se era pra matar,
Por que deram os nomes aos bichos?
Se era pra cortar,
Por que tanto estudaram as plantas?

Se era pra revirar a terra
E cimentar o campo
Empacotar o vento
Plastificar o encanto

Se era pra morrer
De cansaço na beira do asfalto,
Se era pra esquecer
A beleza da água no salto,

Se era pra derramar o vinho
E semear o pranto
Emudecer o pinho
E sufocar o canto

Se era pra perder
Por que foram buscar a esperança?
Se era pra correr
Por que foi que chamaram pra dança?

Se era pra desejar o muito
E usufruir o pouco,
Acalentar o intento
E acabar tão inerte e louco

Se era pra não ser
E evitar a questão do poeta
Se era só pra ter
E virar um produto em oferta

Se era pra ver a Terra em transe
A calçada cobrindo o mangue
A mata vazando sangue
E a cobiça fazendo a festa

Não é para responder
É apenas para se repensar
E quem sabe recomeçar
Replantar / Refazer

Terra em Transe - ( de Gladir Cabral, na voz de Airô Barros)




Se era pra matar,
Por que deram os nomes aos bichos?
Se era pra cortar,
Por que tanto estudaram as plantas?

Se era pra revirar a terra
E cimentar o campo
Empacotar o vento
Plastificar o encanto

Se era pra morrer
De cansaço na beira do asfalto,
Se era pra esquecer
A beleza da água no salto,

Se era pra derramar o vinho
E semear o pranto
Emudecer o pinho
E sufocar o canto

Se era pra perder
Por que foram buscar a esperança?
Se era pra correr
Por que foi que chamaram pra dança?

Se era pra desejar o muito
E usufruir o pouco,
Acalentar o intento
E acabar tão inerte e louco

Se era pra não ser
E evitar a questão do poeta
Se era só pra ter
E virar um produto em oferta

Se era pra ver a Terra em transe
A calçada cobrindo o mangue
A mata vazando sangue
E a cobiça fazendo a festa

Não é para responder
É apenas para se repensar
E quem sabe recomeçar
Replantar / Refazer







Acorda cedo com a luz da alvorada,
Pega na enxada e vai depressa trabalhar;
E na estrada ouve a voz da passarada,
Da folia e da zuada que desperta o dia;

E neste ar fresco que agora ele respira
Lembra bem que tudo gira pelas mãos do Criador;
Ora em silêncio, pensa nos problemas seus,
E no silêncio pede ao Deus que desperta o dia.

Numa toada fora de moda,
Numa viola, seu desabafo,
Um louvor a Deus, o seu amigo
Que desperta o dia e com amor sacia;

Louvando a Deus puxando a enxada,
Olhando a luz da alvorada,
Ouvindo o canto da passarada,
Marcou encontro com seu bem querer.

Você do campo ou da cidade,
Seja idoso, ou na flor da idade,
Marque um encontro, não fuja da verdade,
Sem Jesus Cristo não dá pra viver;

Sem Ele o galo canta atrasado,
Passarim pia desafinado,
O colorido parece acinzentado
E o coração fica sempre amargurado.

Foi ontem




Um quintal faz muita falta
Galos, grilos, patos 
Martelar de sapos
Manhãs de ontem fazem 
Manhãs de paz
Cheiro de chuva
Chaminé, cheiro café
O bom acordar
Cantos, pássaros
Chão de terra, relva
Sereno, beija-flor
Um quintal faz muita falta
Orvalho cristal
Roupas no varal
Balanço na mangueira
A espera do carteiro
Um quintal faz falta
Coentro, salsinha
Couve, cebolinha
O cão e seu latido
Foi ontem...

Hoje meu acordar
Sirene de bombeiro
Chão de malícia
Milicia, polícia
Nada de flores
Nada de abelhas
Vida nada mel
Alegria artificial
Homens cegos, mudos
Homens surdos
Suas telas games de guerra
Imagens em 3d
Gafanhotos devoram 
A fauna, a flora
Sapo martelo volte com seu martelar
Traga meu quintal
Quintal que fora ontem
Que a nossa vida seja levada em nome de Jesus, que nós não sejamos aqueles que rejeitam o nome de Jesus, mas que nós tomemos posse desse único nome que pode nos salvar!

(José Aguiar)

Você encontra outras poesias do poeta José Aguiar em seu Blog "Virtude Maior":
http://virtudemaior.blogspot.com.br/

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015



...Quando estou triste, canto,
Achego-me Àquele que é Santo;
E em êxtase, cheio de encanto,
Saio do chão, me levanto.
Esqueço o problema.



No Oculto de Seu Quarto





No oculto de seu pequenino quarto,
Portas fechadas, sem fazer alarde,
O moço presta culto; o peito arde,
Busca da Água e do Pão que o torna farto.

E diz a seu Amado: Não me aparto
Deste lugar quer seja cedo ou tarde,
Nada me impedirá que eu Te aguarde,
Se não vieres a mim, daqui não parto.

De que me vale ter todas as coisas?
A fome em minha alma não se mede;
Virás pra saciar a minha sede?

Tesouros vãos se vão. São ventos, brisas, 
Quero buscar primeiro a Ti e ao Reino;
No qual quero chegar feito menino.

Silvestre Kuhlmann

Composição





Quando estou triste, leio;
Nas letras encontro recreio,
Despeço-me do mundo feio,
A literatura é um meio
De ver meu dilema.

Quando estou triste, rimo,
Faço das rimas, arrimo,
Tiro, das pedras, o limo,
Dou-me um presente, um mimo:
Um novo poema.

Quando estou triste, canto,
Achego-me Àquele que é Santo;
E em êxtase, cheio de encanto,
Saio do chão, me levanto.
Esqueço o problema.

Silvestre Kuhlmann

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O Grilo

Numa noite clara, de lua redonda
Como um queijo branco no prato do céu
Do meio do mato uma voz ouvi
Que falava sempre:
Cri, cri, cri,cri,cri...

Estava sozinho, sem nenhum amigo
Com quem conversasse, então decidi:
Com o grilo alegre vou travar conversa
Ei grilo, não temas que eu não sou de briga
Creste no que eu disse?
E o grilo do escuro respondeu na hora, como se entendesse:
Cri, cri, cri, cri...

Fiquei muito alegre!
Ele me entendia e me respondia com satisfação
Pus-me a contar fatos que o deixaram quieto
Prestando atenção

Uma vez, amigo, veio ao mundo um homem
Muito meigo e puro, libertando a todos, saciando pobres
Homem tão bondoso como igual não vi
Creste no que eu disse?
Respondeu-me o grilo como se entendesse:
Cri, cri, cri, cri...

Pois o tal profeta (ele era profeta) dedicado e amigo
Recebeu dos homens o pior castigo que já conheci
Numa cruz pesada foi crucificado
Suas mãos sangraram rasgadas, feridas
Sua fronte clara foi lavada em sangue
Padeceu torturas como nunca vi
Creste no que eu disse?
Respondeu-me o grilo como se entendesse:
Cri... cri... cri... cri...

Mas, um dia, um belo dia de domingo
Esse homem puro que nenhum pecado no mundo provou
Rompeu as barreiras da morte gelada
E ressuscitou!
Seu corpo na pedra do frio sepulcro
Ninguém mais achou
Bom... Já se faz tarde. Vou dormir amigo
Mas... Ó? Companheiro? Tu creste de fato no que eu disse aqui?
Respondeu-me o grilo, como se entendesse:
CRI! CRI! CRI! CRI! CRI!

Gióia Júnior