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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

O Pão Que Veio do Céu


"Elias olhou ao redor e ali, junto à sua cabeça, havia um pão assado sobre brasas quentes e um jarro de água. Ele comeu, bebeu e deitou-se de novo." 1 Reis 19.6

*Ester Figueiredo Araújo
Éramos os primeiros residentes do bairro Alvorada I, em Manaus, Amazonas. Meus pais receberam terras do governo, e meu pai construiu um barraco na Rua Oito. "Era uma casa muito engraçada. Não tinha paredes, não tinha nada." Morávamos todos juntos: minha tia Maria, meus pais e minhas quatro irmãs. Eu tinha apenas 4 anos de idade, mas ainda me lembro.
Um dia, meu pai voltou do trabalho para casa. Nós crianças, esperávamos ansiosamente. Sabe, não havíamos tomado nossas refeições costumeiras naquele dia, e nossa mãe nos acalmou dizendo que o papai chegaria logo com um lanche. Normalmente, ele também trazia o almoço e o alimento para o dia seguinte. Entretanto, quando  papai chegou, trouxe a notícia de que o dia havia sido ruim. Ele era um barqueiro, que ajudava as pessoas a cruzarem o Rio Negro de um lado para o outro, e vendia lanches aos passageiros. Mas chovera bastante naquele dia, e não haviam aparecido muitos fregueses. Ele acrescentou que o lanche que ele vendia "nadou", seu jeito de dizer que havia estragado. Sem dinheiro e sem lanche, nós, crianças, ficamos tristes e famintas.
Mas mamãe não perdeu a fé, reuniu a família e fez o culto vespertino como de costume. Pouco depois, era nossa hora de ir para a cama. Entretanto, ao nos prepararmos para dormir, alguém bateu à porta. Um carro havia parado na frente do barraco e alguém saiu, carregando uma caixa. Sem explicação nenhuma, o homem deixou a caixa em frente à nossa casa. Continha comida suficiente para alimentar nossa família por vários dias! 
Nosso coração transbordou de alegria, e toda família se ajoelhou e deu graças a Deus pelo milagre que Ele havia operado. Assim como alimentou Elias no deserto, Deus alimentou Seus filhos, literalmente. Ele nos enviou aquilo que precisávamos. Em compensação, tudo o que Ele desejava era que não perdêssemos a fé. Mesmo antes de pedirmos, Ele providencia o necessário porque nos conhece muito bem.
Nós, as crianças, somos adultas agora, mas não nos esquecemos do milagre que ocorreu durante nossa infância. Na Bíblia podemos ler o seguinte: "Digam aos seus filhos o que aconteceu; que eles contem aos seus filhos, que eles falem sobre isso à geração seguinte" (Joel 1.3, NTLH). Assim, hoje nós o contamos aos nossos filhos, que contarão às outras gerações. E o nome de Deus será exaltado, para sempre e sempre.

*Ester Figueiredo Araújo é professora universitária, membro da Academia Itacoatiarense de Letras, e da Comissão científica da cidade de Itacoatiara, Amazonas, Brasil. Ela tem três filhos e quatro netos. Gosta de ler, fazer caminhadas e escrever.

***

Chuvas de Bênçãos


Na  estação própria farei descer chuvas; haverá chuvas de bênçãos. Ezequiel 34:26


*Margaret Fisher
Os hinos me trazem muitas lembranças. Não é somente a mensagem da letra, mas são as coisas que aconteceram no momento em que os ouvia que permanecem novas e vivas no coração. 
Quando eu tinha seis anos de idade, minha mãe soube de um curso de culinária oferecido ali perto. Mamãe estava começando a aprender inglês, e achou que isso ajudaria a entender inglês melhor, e que a ensinaria a cozinhar o alimento usado pelas pessoas em nosso novo país.
Foi depois da Depressão, uma época difícil para meu pai encontrar um trabalho permanente - ele trabalhava só meio expediente como mecânico. Recebia apenas uns 5 dólares por mês. Resmungava porque comíamos muita sopa, mas isso era praticamente tudo o que conseguíamos com o salário dele.
Mamãe queria ir ao curso de culinária. Custava 50 centavos, que era um bocado de dinheiro para nós, e papai não queria que ela fosse. Mas ela estava decidida. Isso deixou papai bravo, e todos os dias ele trazia à tona o fato de ela estar desperdiçando sólidos 50 centavos.

Na primeira aula, anunciaram que haveria um sorteio na sexta-feira seguinte, quando a aula terminasse. Mamãe não entendeu o que era um sorteio e ficou constrangida de perguntar, mas na sexta feira, dito e feito, realizaram o sorteio e mamãe foi premiada. Disseram-lhe que o  entregariam em nossa casa. Não tínhamos ideia do que seria, mas ficamos muito eufóricos.
Pontualmente às 15 horas a campainha tocou. Ali estavam dois homens com uma enorme cesta cheia de produtos do mercado. Quando eles foram embora, mamãe disse: "Vamos esperar até que papai chegue antes de esvaziar a cesta." Ela continuou: "Ele vai ver que os 50 centavos não foram desperdiçados."
Quando finalmente papai voltou para casa, nós, as crianças, corremos para a porta e o puxamos até a cozinha. Seus olhos se arregalaram quando ele viu a cesta. Mamãe, sem pressa, foi retirando um artigo de cada vez, cantando durante o tempo todo um novo cântico que havia aprendido: "Que segurança, sou de Jesus!" 
Havia sacos de açúcar, farinha, nozes, passas, fermento, leite em pó, condimentos e cinco laranjas - um raro produto, na verdade. Ao redor do topo da cesta havia maçãs e cachos de uvas. Papai nunca mais mencionou os 50 centavos. 

E, ah, sim, todos aprendemos a cantar: "Que segurança, sou de Jesus!"

*Margaret Fisher  e o esposo, Floyd, moram no Tennessee; têm cinco filhos e 16 netos. Margaret gosta de escrever, especialmente poesia. Já publicou alguns artigos e vários poemas. Ela aprecia tocar piano na igreja. Seu passatempo é fazer trabalhos manuais (artesanato).


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Raízes de Amargura

"Longe de vós toda amargura e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, bem como toda a malícia". Efésios 4.31

Um dia, enquanto trabalhava no jardim, percebi que precisava arrancar as ervas daninhas que impediriam o crescimento das flores. Usei várias ferramentas para tentar arrancá-las, mas sem sucesso. Fiquei muito frustrada, e irada recorri ao uso das mãos para tentar arrancá-las, mas as raízes eram profundas.

Essas ervas daninhas me lembraram de situações semelhantes em minha vida. Senti que a amargura havia fincado raízes profundas em meu coração. Percebi também que somente Deus poderia remover essas amargas raízes para que a palavra de Deus plantada dentro de mim não morresse.

Depois de um processo demorado, consegui remover as ervas daninhas do meu jardim. Por mais contente que tenha ficado com isso, fiquei ainda mais feliz por saber que, se eu reconhecer a minha amargura e orar por ela, Deus a removerá continuamente do meu coração. Agora, as lindas flores que vejo no jardim todas as manhãs lembram-me de ser vigilante e manter meu coração livre de mágoas.

Eliana Llanos Fuentes (Barranquilla, Colômbia)


-Pensamento para o Dia: A obra de transformação de Deus vai fundo dentro de nós.


- Oremos pelas pessoas que guardam mágoas.


***


quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Deus é Fiel


E uma criança os guiará. Isaías 11.6


*Lisa Lothian 
 Tenho tido a alegria e os desafios de cuidar de pais idosos. Meus queridos pais cuidaram tão bem de mim que sempre senti que seria simplesmente natural fazer o mesmo por eles em seus anos crepusculares. Os três últimos anos têm sido mais desafiadores, pois minha mãe, em particular, sofre de insuficiência renal e diarréia crônica.
No último Natal, após mais uma de muitas hospitalizações, o médico nos informou que não havia nada mais que ele pudesse fazer contra a diarreia. Ela veio para casa e, ao longo das festividades e alegrias natalinas, visitas de familiares, ficou evidente para mim, como enfermeira, que, devido ao efeito de sua enfermidade, minha mãe estava minguando. Senti-me completamente impotente. Tudo o que ela comia simplesmente saía do corpo, e ela já estava bastante debilitada. Nenhum medicamento ajudava.

Certa tarde, mais uma vez me coloquei de joelhos para orar. Dei graças a Deus pelo privilégio e a alegria de ainda ter meus pais vivos. Meus filhos vinham vê-los todos os dias. Eu os abraçava e lhes agradecia tudo o que faziam por nós. Nem mesmo pedi que Deus lhe estendesse a vida, só que desse a minha mãe alívio dos sintomas que a fragilizavam e me concedesse a sabedoria para ajudá-la. Naquela tarde, minha filha de onze anos, Cynthia, veio a mim e disse:"Mamãe, acho que eu sei o que está errado com a vovó". Minha filha gosta muito dos programas médicos de TV e muitas vezes vai à internet para pequisar sobre doenças, já que deseja ser médica um dia. Ela passou  me mostrar sua pesquisa sobre uma doença chamada síndrome de Habba. Fiquei atônita ao ler e ver todos os sintomas de minha mãe.

No dia seguinte, mandei a informação ao gastroenterologista de mamãe. Ele, alegremente, receitou o tratamento para sua enfermidade, pois admitiu que não sabia de nada que pudesse prescrever para ela. Para nosso espanto, com apenas uma dose do medicamento, ela teve alívio imediato da diarreia que havia perdurado incessantemente ao longo de três anos! Ela reconquistou as forças e agora desfruta a vida outra vez. Louvamos a Deus por Sua intervenção por intermédio de uma criança.
Sempre encontrei conforto na oração. Deus tem Seu jeito de responder, muitas vezes por meios que não podemos sondar ou entender. Uma coisa é certa: Deus é fiel.  Ele nos ouve quando oramos, e, às vezes, nos responde por meio de uma criança.


*Lisa Lothian  é enfermeira em Nova York. Tem gêmeos, que ela eo esposo alfabetizaram em casa, com grande alegria. Lisa gosta de cuidar do jardim, orar, ler e encontrar maneiras criativas de testemunhar aos outros.                                                                                                                   

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Tocando com amor a vida do próximo...

*Elizabeth Ida Cain
Quando surgem boas oportunidades, não nos resta outra atitude a não ser agarrá-las, principalmente se o foco é servir a Deus e o desejo é ajudar o próximo. Alguns anos atrás, animar e alegrar centenas de crianças através de projetos missionários era a última ideia em minha cabeça, mas meu rumo mudou e tive a oportunidade de organizar e coordenar essa atividade. Pensando sobre isso agora, eu me pergunto: teria sido um salva-vidas, uma segunda chance, destino ou um dom que eu nem imaginava possuir e que, portanto, foi convocado à ação de modo grandioso? Seja qual for a resposta, a experiência, as recompensas e os benefícios superaram as muitas perguntas que eu fazia a mim mesma. Digo isso confiante, porque creio que Deus tem estado no controle e cuida das necessidades de todas aquelas crianças que eu não conhecia antes.

Tive o privilégio de liderar as moças do meu dormitório na implementação de um projeto comunitário, no sentido de estabelecer contato e tocar a vida de algumas crianças especiais. Durante meses, passamos algum tempo entrando em contato com a casa de todas as crianças na comunidade em que eu trabalhava, bem como com a ala infantil do hospital da cidade. Arrecadamos livros e brinquedos em empresas, livrarias e lares. Cantamos belas canções, lemos e recitamos poemas. Houve expressões de gratidão e sorrisos em todos os rostos. Foi um dia do qual me lembrarei para sempre. Que "trabalho" melhor existe do que dispôr-se a tocar a vida de quem precisa do nosso amor e atenção? pensei.

Os livros são alguns dos presentes mais preciosos que se pode dar. Existe vida nos livros. Existe vida na leitura!

E Jesus disse: "Deixai vir a Mim os pequeninos, porque dos tais é o reino dos céus". Mateus 19.14


Querido Pai celestial, quando nos dispusermos a tocar a vida dos outros, ajuda-nos a fazê-lo com um coração puro e amoroso, sem preocupação com o nosso conforto ou recompensa, mas para abençoar as pessoas, assim como Tu o farias. Em nome de Jesus te peço. Amém!

*Elizabeth Ida Cain   trabalha como administradora de uma empresa de veículos. Gosta de trabalhar no departamento feminino de sua igreja e é projetista de arte floral.


Do Devocional "Declaração de Amor".

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Silêncio

Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus. Salmo 46.10




*Glória Durichek Gyure
Minha jornada com o silêncio e meu relacionamento com Deus começaram com duas experiências profundas. Eu vivia na Bavária em 1978, quando meu pai veio fazer uma visita a fim de descobrir suas raízes. Seus pais haviam emigrado da Eslováquia para o que hoje é a Croácia, no fim dos anos 1800. Mas queria chegar às suas raízes na terra natal. Fomos a Bratislava, agora capital da república da Eslováquia, mas, na época, sob governo comunista. Como parte da nossa visita, fomos a uma igreja católica, o único templo aberto. O interior era pré-Primeira Guerra Mundial, e mais provavelmente ao estilo de meados do século 19. Enquanto estávamos sentados num banco, chegaram algumas pessoas mais idosas, principalmente mulheres, ajoelharam-se e oraram. O sentimento de devoção era profundo. Aquele era, realmente, um espaço sagrado, e as pessoas vinham ali para comungar com Deus - em silêncio e reverência.

A segunda experiência foi quando estive em Tenebrae, que significa "trevas" ou "sombras", e durante séculos se aplicou aos antigos cultos monásticos da noite e do início da manhã, dos três dias antes da ressurreição.
Os cultos começam com velas acesas, cada uma das quais é apagada após um hino meditativo e um período de silêncio. Por fim, a vela grande, representando a Cristo, é levada para fora, e o templo fica em total escuridão.
A reverência que senti naquele templo escuro e silencioso era palpável.
A princípio, durante os momentos de silêncio, comecei a orar, mas então percebi que as palavras eram supérfluas. Eu precisava deixar que Deus falasse e me envolvesse no escuro silêncio.
Depois do último hino, o órgão tocava um barulho alto, representando a pedra sendo rolada para lacrar o sepulcro de Cristo. Uma iluminação velada surgia, e éramos deixados em silêncio.

Quando entrei no carro e voltei para casa, senti que meu tempo com Deus não havia terminado. Dirigi para casa, envolta pela presença de Deus, e também sentindo mais que nunca Sua presença viva dentro de mim.

Sim, podemos encontrá-lo no silêncio. 
Ele fala conosco por intermédio da eloquência do silêncio.

Madre Tereza disse: "Precisamos encontrar Deus, e Ele não pode ser encontrado no ruído e na agitação. Deus é amigo do silêncio. Veja como a natureza cresce no silêncio - árvores, flores, gramas; veja as estrelas, a Lua e o Sol, como se movem silenciosamente. Necessitamos do silêncio para poder tocar as pessoas."


*Glória Durichek Gyure é professora de inglês aposentada, escritora e editora na área técnica e engenheira de sistemas. Mora em Denver, Colorado. Ama a jardinagem, leituras, viagens e reflexões sobre a vida e sobre Deus e sua bondade que faz com que valha à pena viver.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Viagem de avião

Sejam fortes e corajosos. Não tenham medo, nem desanimem [...], pois conosco está um poder maior do que o que está com ele. 2 Crônicas32:7


*Ella Rydzewski
Sempre me lembrarei do dia em que voei com as freiras. O coração batia forte enquanto me preparava para a primeira viagem de avião depois de vários anos. Eu abrigava um medo intenso de voar, originado com meu voo inaugural num avião particular, comandado por um piloto jovem e exibido. Naquela época, decidi nunca mais sair do chão. Agora, enfrentava um futuro desconhecido, saindo da Califórnia de avião para morar na Costa Leste. Tudo me estressava! Então, Deus operou uma de suas incríveis coincidências, que vêm como resultado de orações deseperadas.
A irmã Ana e eu nos conhecemos num seminário em Pasadena, Califórnia. Freira de uma ordem estrita, ela agora se deleitava à luz das mudanças do [Concílio] Vaticano II. "Um verdadeiro sopro de ar", como dizia ela.
Quando expressei o medo de voar, Ana me contou que ela e as irmãs do convento participariam, em breve, de uma conferência na Filadélfia. Descobrimos que tínhamos reserva no mesmo voo. Foi uma coincidência incrível. Eu voaria não só com uma amiga, mas com mais de uma dúzia de freiras.
Elas oraram por mim no dia do voo, e me cercaram como um exército angelical enquanto embarcávamos. Ana era a mais jovem do grupo, enquanto algumas das freiras já eram bem idosas. Lembro-me, em particular, da irmã Mary. Seu rosto enrugado brilhava com o amor de Jesus, enquanto ela me segurava pela mão e me guiava até a entrada da aeronave. Ana sentou-se a meu lado, mas pouco depois da decolagem, a irmã Mary contou a uma das comissárias sobre o meu temor. Ela voltou em seguida para me dizer que uma das comissárias se sentia indisposta e perguntou se eu tomaria o lugar dela. "Você vai esquecer seu medo, prometo", disse ela. Assim, passei as cinco horas da viagem atendendo passageiros e não fiquei assustada nem uma vez sequer. Deus respondera as nossas orações em conjunto.
Ainda me lembro da presença tranquilizadora dos rostos felizes das freiras. Que amáveis irmãs! 
Nós cristãos, pertencemos a uma grande família de muitas etnias, práticas, tradições e histórias. Mas, há Um que promove nossa união, e esse é Cristo. Ao interagir com outros cristãos, queremos evitar o egotismo eclesiástico, pois Deus não é propriedade de nenhuma religião. Não adoramos uma organização, mas a Cristo. Ele deve ser o primeiro em qualquer contato com outros cristãos.

*Ella Rydzewski é escritora freelance e mora em Maryland com o esposo Walter. Já publicou mais de 200 artigos, a maioria durante os dez anos em que trabalhou na Adventist Review.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Bendita Segurança

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação! É Ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus. 2 Coríntios 1.3,4


*Bessie Siemens Lobsien
Em minha vizinhança mora uma viúva que dirige estudos bíblicos em casa para algumas amigas da sua igreja, e ela convida os vizinhos para participarem do grupo. Embora eu não frequente a igreja dela, senti-me compelida a ir quando ela me convidou para o estudo. Orei para ser, de alguma forma, uma testemunha diante dos vizinhos naquele grupo. Reunimo-nos uma vez por semana. Oramos por qualquer pessoa que tenha alguma necessidade especial no grupo: quando alguém está doente  ou tem familiares ou outros vizinhos enfermos, ou que tenham alguma outra necessidade. É confortador, para cada uma de nós, pertencer a esse grupo de mulheres cristãs que oram umas pelas outras.
Após a oração, geralmente lemos um capítulo de um dos Evangelhos, escolhido pela anfitriã para o nosso estudo. Cada uma tem a sua vez de ler uma passagem. Então a dirigente lê um comentário sobre aquele Evangelho, com referências escriturísticas para procurarmos. Ela traz essas referências escritas em tiras de papel, para que as leiamos quando chega a nossa vez. Isso é muito esclarecedor e, quanto a mim, aprendo bastante. 
Embora algumas irmãs tenham uma formação denominacional diferente, encontramos nosso ponto em comum nos Evangelhos. Procuro, cuidadosamente, apresentar minhas ideias sobre o assunto quando tenho a oportunidade, e elas, em geral, são bondosamente aceitas.
Li, em Lucas 10, acerca do intérprete da lei que perguntou a Jesus o que devia fazer para herdar a vida eterna. Jesus lhe perguntou: "Que está escrito na lei? Como interpretas? O advogado respondeu: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: amarás o teu próximo como a ti mesmo."
"Respondeste corretamente; faze isto e viverás", disse Jesus (Lucas 10:25-28).
Quando existe alguma amargura de sentimentos por causa de diferenças, podemos fazer a diferença amando-nos uns aos outros. Isso também ajuda a remover o preconceito. Oro continuamente para poder fazer isso.
...

*Bessie Siemens Lobsien é bibliotecária aposentada. Trabalhou 21 anos em missões estrangeiras, bem como nos Estados Unidos. Atualmente curte os bisnetos, que crescem muito depressa, costura para empreendimentos assistenciais e ajuda no trabalho da igreja como voluntária.



quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A Dança das Águias

Voam alto como águias. Isaías 40.31

*Elizabeth Boyd
Às vezes, Deus manda um mensageiro para falar do Seu amor. Na verdade, ao longo do dia, Ele manda pequenas mensagens só para me dizer que está pensando em mim. Ele sabe do que eu gosto. Sabe que coisas da natureza me encantam de modo especial, e me deu um lugarzinho neste planeta que é especialmente rico em coisas aprazíveis da natureza. No ano passado, ele me deu um casal de sabiás, que construiram o ninho na árvore de teixo, bem junto à porta da frente - na altura dos olhos, não menos! O pai gorjeava suas canções favoritas do castanheiro ao lado. Eu me deleitava repetidamente, a cada pequeno progresso no seu lar, e cada ovinho azul me trazia grande contentamento. Quatro pequenos sabiás peladinhos clamavam por comida. Quatro sabiás já crescidos, com o amarelo ainda óbvio na ponta do bico, saíram voando certo dia, e lhes acenei adeus da cerca de madeira junto à pastagem do cavalo. Perguntei: Será que Deus os manda de volta este ano?

Semana passada, Deus me surpreendeu com um novo regalo. A menos de dois metros acima  do teto do celeiro, apareceu uma enorme ave marrom, com uma envergadura de asas magnífica. Pisquei, admirada, quando vi sua cabeça e cauda brancas! Meu cachorro notou as garras douradas e o bico curvo e afiado, e me olhou como se perguntasse: "E agora, a gente se esconde?" Ela voava baixo, como se estivesse fazendo um voo turístico pela região. Virou a cabeça branca, a nem 4,5m acima de mim. Seus olhos cruzaram com os meus, e sorrimos juntas, enquanto ela se afastava.

Hoje Deus me deu outro deleite. A águia trouxe companhia. Não; não para o passeio panorâmico, mas para a dança. Não muito acima, as duas começaram a voar em círculos. O círculo de uma se unia ao círculo da outra, formando um oito. Juntas por um breve momento, depois afastando-se em círculo para voltar outra vez, elas me encantaram com sua dança. Era quase como observar a versão divina da patinação no gelo, na qual a moça rodopiante flutua de modo gracioso pela pista, fazendo círculos com seu companheiro!
As duas magníficas aves alçavam voo e depois desciam; a seguir, voavam juntas, com as asas quase se tocando. Fizeram um círculo novamente, desta vez voltando para voar acima e abaixo uma da outra. Mais uma vez, uniram as asas e voaram em círculo. Com o vento sob as asas, elas planavam, uma acima da outra, e depois, com um número oito final, voaram para longe, fora das minhas vistas. Eu as veria de novo?
Só posso esperar; mas não me queixo...

Hoje vi as águias dançando.
.......




*Elizabeth Boyd  é fisioterapeuta. Fundou uma empresa, a Traveling Medical Professionals, que arranja colocação para terapeutas itinerantes no território dos Estados Unidos. Agora, aposentada, mora em sua fazenda, gosta de andar a cavalo, escrever, ser hospitaleira e ouvir música. Nos fins de semana, orienta jovens no estudo da Bíblia.






segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A Palavra que ajuda

"Como maçãs de ouro em bandeja de prata, assim é a palavra dita a seu tempo." Provérbios 25.11


Era uma tarde de verão, quente e úmida. Embora o ônibus tivesse ar-condicionado, os passageiros estavam quietos e não se via nada daquelas brincadeiras pós-expediente. Uma olhada ao semblante deles contava a história: com calor, cansados, estressados, sem querer ser incomodados por nada, nem ninguém. 
Então aconteceu. Numa das paradas, um homem embarcou e, sorrindo, disse: "Boa tarde, pessoal!" Os passageiros olharam para o homem, talvez pensando: Qual é o problema dele? Nesta cidade, ninguém cumprimenta um ônibus cheio de passageiros. Você pode cumprimentar o motorista ou seu companheiro de assento, mas não faz uma saudação geral. Assim, ninguém respondeu. Ele, discretamente pagou sua passagem, sorriu, e desta vez disse: "Vocês todos parecem não se sentir muito bem hoje, de modo que vou tentar outra vez. Boa tarde para todo mundo!" e, cantarolando baixinho, ocupou seu assento. Desta vez funcionou. A maioria das pessoas riu e muitos responderam: "Boa tarde para você também!" O  clima mudou, e as pessoas começaram a conversar.

A vida é assim para muitas pessoas. Estão incomodadas com os desafios da vida - família, empregos, relacionamentos, finanças - e a lista continua. Estão quietas e perdidas nos próprios pensamentos, provavelmente tentando decidir qual deverá ser seu próximo passo, estressadas por várias situações. Guardar tudo para si, parece ser a maneira mais fácil e segura de lidar com a questão. Mas, aí aparece alguém que pode estar enfrentando alguns dos mesmos desafios, mas que aprendeu a lidar com eles, e então os outros percebem que as coisas não estão tão ruins, afinal. Percebem que sua situação não é desesperançada, mas esperançosa! Podem até começar a usar a mesma fórmula que aquele homem usou.

Enquanto continuava meu percurso de volta para casa, pensei: Que diferença fez um homem com atitude positiva, uma palavra bondosa e um cântico no coração! Essa experiência me fez lembrar de uma canção que aprendi quando criança: "Se uma palavrinha pode iluminar uma vida escura; se uma canção minha pode tornar leve um coração triste, Deus me ajude a dizer essa palavra na hora certa e adoçá-la com melodias, deixando-a cair num vale solitário para que o eco volte ressoando."

E você, também não gostaria de procurar oportunidades , hoje, de mudar situações ao falar uma palavra oportuna, adoçada com melodia? Isso pode simplesmente transformar a situação de alguém - de desesperançada e impotente para esperançosa.

Maureen O. Burke








quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Mude seus pensamentos

Muitos aspectos da prisão a tornam uma experiência dura. No entanto, sempre que me perguntam sobre o que é mais difícil de enfrentar, a resposta vem rapidamente. Não são as frias barras de aço, os imponentes muros de pedra ou os perigos por detrás deles. É a separação da família, o abandono dos amigos e o coração desesperado. É a solidão que realmente aprisiona.

Ainda vai demorar para eu sair da prisão. Contudo, estou encontrando uma forma de conseguir me libertar da pressão da solidão. Alterei o que posso: minha atitude interna. Isso me levou a ver e a vivenciar as coisas de maneira diferente, a ver e experimentar a bondade que Deus compassivamente oferece.

Quer estejamos atrás dos muros de uma prisão ou das portas fechadas de uma casa, a solidão pode ser o mais difícil desafio que qualquer um  de nós pode enfrentar.

Mesmo que não possamos mudar ou controlar nossas circunstâncias externas, a Bíblia nos diz que podemos modificar nossa atitude interior em relação à situação. O "sentimento de Cristo" (Veja Filipenses 2.5) mudará nosso dia de hoje - e os nossos amanhãs.

Charles P. Axe  (Pensilvânia, EUA)


Oração: Amado Deus, sempre e onde quer que estejamos solitários, dá-nos a certeza de que Tu estás junto a nós. Em nome de Jesus. Amém.

Pensamento para o Dia: A mudança começa no interior com a ajuda do alto.

Oremos pelos presidiários e por todas as pessoas que de alguma maneira se encontram em prisão.









terça-feira, 26 de agosto de 2014

Instrumentos de Deus

Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados. Mateus 5.4, NVI

Por Hannelore Gomez
Gosto de viajar, e, como geralmente viajo sozinha, isso me dá a oportunidade de conhecer pessoas muito interessantes. Mas, numa viagem específica, decidi que não me envolveria em conversas com nenhum outro passageiro. Queria simplesmente relaxar e dormir.
Depois de passar por longas filas nos balcões do check-in e da rotina nos procedimentos de segurança, finalmente entrei no avião e me acomodei, relaxando exatamente como planejara. Ao meu lado, sentou-se uma senhora de meia-idade. Ela parecia um pouco aflita e estava vestida de preto. Discretamente, olhei para ela e achei que não seria difícil seguir meu plano de descansar e não falar com ninguém no avião.
Depois de quatro horas de voo, o avião estava pronto para pousar. Fiquei contente porque o voo acabara e eu veria minha família em breve. Enquanto o avião taxiava na pista, olhei para minha companheira de assento outra vez e decidi perguntar-lhe porque estava fazendo aquela viagem.
Com a voz trêmula e muita tristeza no rosto, ela me contou que sua irmã e a família de seis pessoas haviam sofrido um acidente no dia anterior, e todos morreram. Ela estava indo para o funeral. Eu me senti pavorosamente culpada! Quão egoísta fui! Quantas palavras confortadoras poderia eu ter dito a ela em quatro horas? Como pude perder a oportunidade de falar-lhe sobre nosso amoroso Deus e seu amor pelos sofredores? Tentei dizer algumas palavras confortadoras, mas não fui bem-sucedida. Imediatamente elevei uma prece a Deus, pedindo ajuda para aquela pessoa desesperada que estava sofrendo. Também orei pedindo perdão - eu havia falhado.
Somos os instrumentos de Deus para alcançar e ajudar os outros de toda maneira possível. Ele coloca as pessoas em nosso caminho com um propósito. Permitamos que o Senhor faça a Sua obra por nosso intermédio.

"Portanto, como povo escolhido de Deus, santo e amado, revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência." Colossenses 3.12

Querido Deus, quero ser Teu instrumento. Por favor, usa-me para ser uma bênção aos outros - e ajuda-me a estar pronta e disposta.

Hannelore Gomez, natural do Panamá, leciona espanhol no ensino médio, em Virgínia. Seus passatempos são ler e viajar.


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Envelhecendo graciosamente

O próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir. Marcos 10.45

Entrego refeições a pessoas idosas ou deficientes. As refeições são preparadas por voluntários. Muitas vezes fico admirado com o altruísmo e a determinação dessas pessoas. Muitas delas revelam os movimentos lentos e doloridos resultantes da idade e de ferimentos. Alguns dos voluntários provavelmente se qualificariam para receber essas refeições entregues em domicílio. Ninguém as criticaria se preferissem o conforto de suas próprias salas de estar às exigências do trabalho não remunerado. Mas elas optam "não por ser servidas, mas por servir", e, ao fazer isso refletem a presença e o amor de Jesus Cristo.
Lembro-me de que envelhecer não significa que devemos abandonar nossos propósitos na vida. Com a graça de Deus, podemos continuar a servir-nos uns aos outros. Fazemos isso por meio da ação e da oração e declarando o poder e o amor de Deus por todas as gerações. Podemos viver com alegria e esperança, servindo aos outros, e na plena confiança de que Jesus preparou um lar perfeito e eterno para nós.

Oração: "Senhor, graças pelo dom da vida, tanto a temporal como a eterna. Ajuda-nos a servir-Te pelo serviço aos outros."

Pensamento para o dia: "O chamado de Cristo a servir é irresistível."

Oremos pelas pessoas que estão enfrentando os desafios do envelhecimento.

Leia e medite em: Mateus 6.9-13; Salmo 71.13-19 e 1 Coríntios 15


Por: Robert Boertien (Oregon, EUA)



Amor sem limites

Haverá mãe que possa esquecer seu bebê que ainda mama e não ter compaixão do filho que gerou? Mesmo que isso aconteça, Eu porém jamais me esquecerei de você!  (Isaías 49.15)

Por: Patrícia C de Almeida Santos

Há algum tempo atrás meu esposo e eu morávamos numa casa com um lindo e espaçoso quintal, um belo gramado e uma frondosa árvore de manga na frente da propriedade. No quintal, uma coruja buraqueira fez seu ninho. Ela recebeu esse nome porque cava um buraco no chão e ali deposita os ovos.
Da janela da cozinha, eu podia observar diariamente a coruja. Ela permanecia imóvel, não saindo nunca da entrada da toca, guardando sempre seu precioso legado. Todos os dias era a mesma coisa. Quando meu filho, cautelosamente, tentou aproximar-se para ver os ovos, a mamãe coruja estava preparada para atacar, abrindo as asas e agindo ameaçadoramente. Às vezes, ela voava para demonstrar o que aconteceria se ele chegasse mais perto.
Uma vez, vi algo que me impressionou quanto ao cuidado da corujinha para com sua ninhada. Era o fim da tarde.Chovera bastante e havia ventos fortes. Essa mãe zelosa, um pouquinho ao lado, abrigada sob o ramo de um arbusto, permaneceu fiel e observadora, sempre olhando para a toca. Imediatamente me lembrei do cuidado de Deus por nós, Seus filhos.
Com amor, Ele vigia por nós constantemente, e está sempre pronto a nos defender quando o inimigo tenta atacar. Nas tormentas e adversidades da vida, Ele continua conosco - firme, atento, embora não possamos vê-lo. Nessas horas, podemos achar que Ele nos abandonou, mas, na verdade, assim como aquela mãe cuidadosa, Ele fica sempre muito próximo, prestando atenção em cada passo que damos, sempre pronto a auxiliar.
Olhando para aquela corujinha e pensando em sua devoção para com os filhotes, pensei no meu filho que dormia naquele momento e no quanto eu o amo. Não me esqueço dele nem por um minuto. As palavras de Isaías 49.15, acerca do cuidado e amor de Deus me confortam o coração: "Embora ela (a mãe, eu, a corujinha, ou seja quem for) possa esquecê-lo, Eu não me esquecerei de você!"  É muito bom sermos filhos amados do Senhor!



quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Refletindo sobre a brevidade da vida

A última semana de novembro de 2013 foi uma semana muito difícil pra mim. Especialmente os dias 29 e 30 de novembro, quando mergulhei numa deprê daquelas. Naquela sexta-feira, sentindo dores, (por estar com alguns problemas de saúde), juntei a isso também as dores emocionais. Abri as feridas do passado, trouxe à mente memórias muito antigas, lembrei dos meus queridos que já se foram, me entristeci pelos sonhos que não realizei, pelas esperanças e aspirações que foram deixadas de lado... enfim... sabe aqueles dias em que você se sente um zero... o cocô do cavalo do bandido? Ou será que só eu, sendo cristã, me sinto assim às vezes???

Bem, pra completar a semana, no dia seguinte, estive envolvida em um acidente. O ônibus em que eu estava com meu filho Davi, bateu em um carro que avançou o sinal. Graças à Deus, nada de grave aconteceu aos passageiros e ao motorista do ônibus, e nem a mim e a meu filho, a não ser um pequeno corte em minha boca, quando bati com o rosto. Mas, quando desci do ônibus, (eu, que já estava tão fragilizada), me entristeci ainda mais, pois o motorista do carro não sobreviveu. Logo, os populares retiraram o motorista e seu filho do carro, antes mesmo que o socorro chegasse, pois temeram uma explosão. Tentamos manter o rapaz imóvel, até a chegada do socorro. Fiquei ao lado do rapaz ( que devia ter seus 22, 23 anos). Ele me pediu para ligar para sua mãe, e me perguntava a todo instante pelo seu pai. Como... Como eu iria lhe dizer que seu pai não resistiu? Então, apenas lhe respondia: "Calma, seu pai está aqui ao lado. Fique imóvel. Logo, logo o socorro vai chegar."
Foi um misto de sentimentos... não posso explicar. Eu ali, naquela situação, vendo a fragilidade e a brevidade da vida. Aquele homem morto ali, na minha frente, com mais ou menos a idade do meu marido, e aquele jovem que poderia ser meu filho. Quantos planos aquele homem não teria feito pra aquele sábado, para o fim de ano e para os próximos anos de sua vida? Não pôde realizá-los. A história do livro de sua vida terminou alí. Deus fechou seu livro e o selou. 

Quem pode ver tal cena e não meditar, refletir sobre a vida e sobre a própria vida. Percebi, ali, muitas coisas que estavam obscuras ou esquecidas para mim. Pensei no quanto preciso valorizar a minha vida e a dos que me cercam. Pensei em como tenho conduzido minha vida. Pensei que um dia, Deus tinha dado sentido à minha vida, mas que eu precisava continuar essa corrente, ajudando outros a encontrar o sentido e o valor de suas vidas. Somos alguém, quando fazemos qualquer um se sentir alguém. Essas foram algumas das coisas que pensei naquele momento em que socorríamos o jovem, e muitos outros pensamentos e questionamentos ainda povoaram a minha cabeça no Domingo e na semana seguinte.
Sabe, aquele homem não era um jovem, mas também não era um velho. Ele não teve tempo sequer de fechar seus olhos. Será que ele aproveitou seu tempo de vida para fazer as coisas que realmente são importantes? Ou gastou todo seu tempo com as coisas que menos importam? Qual legado terá deixado para seu filho?... e para mundo?

Esta semana ouvi uma bela mensagem em que um cristão dizia o seguinte: " Que legado eu e você estamos deixando para o mundo? As pessoas quando ouvem nosso nome, que tipo de sentimento passa no coração delas? Gratidão, admiração, reconhecimento?... ou nós não representamos muita coisa para as pessoas? É claro, que para nossos familiares, somos especiais. Mas, eu acho que cada ser humano pode deixar o seu próprio legado. Alguns deixarão um legado maior, outros um legado menor, mas o mundo precisa ser melhorado pela minha passagem por esse lugar, e pela sua passagem. Eu espero que não venhamos a viver só para nós mesmos, que nossos recursos e tempo não sejam apenas para os nossos interesses, que entendamos o nosso valor, mas também possamos desenvolver o altruísmo e entender que as pessoas que estão ao meu redor têm tanto valor quanto eu. Aos olhos de Deus todos somos iguais e todos temos valor, sim. Eu e você devemos viver uma vida de amor a Deus, e amando nosso próximo, nos doando para diminuir o sofrimento de outras pessoas. Eu e você, enquanto temos vida, podemos fazer a diferença na vida de alguém, e isso faz diferença em nossa própria vida!"  É isso que dá sentido à vida!
Josy Cristina Caldas Farias

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Flores com amor 

Pois o seu Criador é o seu marido,  Senhor dos Exércitos é o Seu nome, o Santo de Israel é seu Redentor. Ele é chamado o Deus de toda a Terra. Isaías 54:5







Por  Eunice  Michiles Malty*
Certa vez, li a história de uma mulher, que expressa promessas divinas como um poema singular. Ela conta que seu marido falecera. Eles haviam sido muito felizes, e a ausência dele lhe causava grande dor. Um dia, deitada sob uma árvore, ela pensava em sua infeliz situação e nas flores que nunca mais receberia. Sentiu uma ponta de inveja de outras mulheres que recebiam flores, especialmente flores que vinham por nenhuma razão especial, a não ser para dizer : "Eu te amo".
Incapaz de conter as lágrimas, ela fechou os olhos e sentiu o vento lhe tocando o rosto. Nesse momento, algo extraordinário aconteceu. O vento soprou com mais força e a cobriu com uma chuva de flores. Ali ela reconheceu a presença de um Companheiro maior. Deus estava com ela! A mulher guardou uma flor e, ao olhar para ela, pensou: Não estou só; Ele me ama!

De todas as artes, o amor é a mais sagrada e necessária. Não podemos viver sem pertencer a alguém, e existe um tipo de amor  do qual se sente grande falta: o amor de um cônjuge. Isso foi especialmente verdade para alguém que tinha  crianças pequenas e uma vida cheia de desafios a superar, como foi o caso de minha mãe. Ela teve que criar seus filhos sem a presença de meu pai, que falecera quando éramos crianças.
As feridas precisavam ser apagadas; seus olhos precisavam afastar-se  das próprias feridas. Era necessário buscar forças com seu Pai celeste. Meus irmãos, minhas irmãs e eu éramos muito pobres em termos de dinheiro, mas não éramos pobres em termos de um Pai. Aprendemos sobre riquezas com nossa mãe, através das orações matutinas  e também vespertinas, e orações de gratidão por nosso alimento. Ela nos enchia com o amor que vem de Deus. Encontrava nEle a força que transmitia aos filhos, mesmo por meio de um simples olhar . 

Podemos ter perdido alguém que amamos muito no passado -- ou ainda amamos hoje -- mas, lembremos que Deus está conosco sempre. Com flores inesperadas, Ele nos diz: "Estou com você; não tema. Continuarei a cuidar de ti."



*Eunice  Michiles Malty atuou no Congresso Nacional brasileiro por 16 anos, tendo sido a primeira senadora do Brasil. Participa ativamente do Ministério da Mulher na Igreja Adventista Central de Brasília. Ela e o esposo, Gerson Malty, participam de atividades em favor dos idosos. Eunice gosta de fazer trabalho social; também gosta de ler e de fazer trabalhos manuais como arranjos de flores.

sábado, 16 de novembro de 2013

A Voz de Deus

Ele costuma falar, quando você está disposto a ouvir


Você já ouviu a voz de Deus? Já imaginou com seria ouví-Lo falar? "Eu oro , mas não consigo ouvir ou discernir a resposta de Deus." Essa é uma das frases que mais escuto quando jovens questionam a relevância da oração e me interrogam se vale à pena pedir a orientação de quem não veem.
Tudo seria mais simples se Ele simplesmente falasse claramente. Mas seria audível? Apenas uma impressão na mente? E como saber se é realmente Ele ou imaginação? 
Um dia decidi ouvir a voz de Deus e elaborei um plano. Viajei para Minas Gerais determinado a passar três dias nas montanhas para discernir a vontade dEle para mim. Na bagagem, levei apenas uma barraca, a Bíblia, água e frutas. A ideia era silenciar todas as outras vozes e no sossego da natureza estabelecer  intimidade com Deus. 
É interessante observar que em Hebreus 1:1, a Bíblia afirma que Deus falou "muitas vezes" e de "muitas maneiras". O retrato pintado pela bíblia é do Deus que procura adoradores, do Deus que deseja ser encontrado e provar intimidade com Seus filhos. Deus fala. Sua essência é a revelação e o relacionamento. Muitos já afirmaram ter ouvido essa voz, mas esse relacionamento só é desfrutado em reciprocidade. Se Ele fala, alguém tem que ouvir. E ouvir , exige prioridade.
No capítulo 3 do livro de 1 Samuel, Deus opera uma mudança na maneira de tratar  Seu povo. Até ali, Deus havia falado a um velho sacerdote chamado Eli, mas devido à condição pecaminosa do povo e aos poucos dias de vida que restavam ao homem, Deus decidiu falar a um jovem que vivia no templo. Seu nome: Samuel.
Por três vezes Samuel "escutou" uma voz, mas na quarta, após um conselho de Eli, decidiu "ouvir" e atender ("... então veio o Senhor , e pôs-se ali, e chamou como das outras vezes: 'Samuel, Samuel.' E disse Samuel: 'Fala, porque o Teu servo ouve'" - v 10. Até ali, a Bíblia relata que Samuel não conhecia a Deus (v.10). Não conseguia discernir a voz claramente, não existia intimidade cm o Deus que fala.
Certa vez, perguntaram à Madre Tereza de Calcutá porque ela gastava tantas horas em oração e o que ela  falava com Deus. A madre respondeu: "Eu não falo nada, apenas escuto." Porém, acrescentaram: "Então, o que Deus fala com a senhora todo esse tempo?" Ao que ela respondeu: "Deus não fala nada, Ele apenas escuta também."
O maior grau de intimidade entre duas pessoas pode ser apenas o silêncio. O conhecimento que nos traz resposta e nos faz  ser um com Ele é privilégio de quem aprende a ouvir e esperar, mesmo em meio ao aparente silêncio. Existe um mistério que sonda a oração. Não compreendemos quase nada sobre o milagre que é falar e ouvir o Deus vivo. Espiritualidade viva e real começa de joelhos. Não há outra maneira de ouvir a Voz em meio ao caos da vida que levamos. O convite é para aquietar a alma e reconhecer a dependência da Voz.
Há quanto tempo você não ouve Deus falar? Talvez você nunca tenha provado essa conexão direta e tem relutado provar. Talvez porque a resposta não lhe pareça audível. O meu desafio para você é buscar, ouvir, atender. Naqueles três dias nas montanhas, Deus confirmou meu chamado  par ser pastor de jovens de uma forma totalmente inesperada. Mas, essa história fica para outro texto. O importante é que deus falou comigo, porque eu estava pronto para ouvir. E você? "Vocês Me procurarão e Me acharão quando Me procurarem de todo o coração" (Jeremias 29.13, NVI).

Felipe Tonasso
Formado em Música e Teologia. É pastor de jovens da UNASP, campus Hortolândia - SP







sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Todas as pequenas coisas

Reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e Ele endireitará as suas veredas. Provérbios 3.6 - NVI


*Anna May Radke Waters
Foi um daqueles dias em que as coisas que  eu precisava fazer pareciam não ter fim. Sai para buscar tecido para uma costura, comprar um estoque de papel, envelopes e cartões para o escritório, bem como tentar encontrar um brinquedo adequado para meu neto mais novo. Além disso, fazer compra no mercado, ir ao correio e ao banco e - bem, sei que você captou a ideia.
Ao sair da papelaria, pensei em ir a um shopping próximo, do outro lado do rio. Havíamos estado ausentes durante o inverno, e tive a curiosidade de saber que lojas novas poderiam ter-se instalado.
Ao entrar no carro, comecei a ouvir o noticiário no rádio. Era essencialmente um som ao fundo, até que ouvi o nome do shopping para onde eu planejava ir. Parecia haver um grande problema de trânsito e muitos carros de polícia estavam em cena. Pediam que os motoristas evitassem a região da rodovia. Sentada ali, pensei em quão interessante foi o fato de que Deus, a Seu modo, estivesse a me dizer que não fosse para lá.
Sabe, sou uma daquelas pessoas que simplesmente não começam o dia sem entregar tudo a Deus. Sei que seus planos para mim são muito melhores do que os meus. Faço planos, sim, mas se não realizo todos, concluo que há uma razão para isso, e tudo fica bem. Deus tem muitas maneiras de falar conosco, mas nunca antes Ele  havia me falado através de uma notícia no rádio do carro. Dificilmente ligo o rádio - aconteceu justamente no momento certo para me informar, e nem imagino a confusão que haveria se eu tivesse ido ao shopping sem saber de nada. Fazer isso não teria sido algo pecaminoso; foi simplesmente um daqueles casos em que Deus sabia quanto seria frustrante para mim, e Ele "falou" comigo antes que eu fosse.
Uma vez mais, entendi que Deus verdadeiramente cuida de cada pequena coisa que diz respeito à nossa paz. Ele deseja que sejamos felizes, e qual é a melhor maneira de garantir que eu tenha um bom dia senão entregá-lo a Ele? Mesmo que algo saia errado, sei que Ele estará comigo, dando-me paz. Compreende quão perto está a salvação daqueles que O temem? Jesus disse: "Deixo-lhes a paz; a Minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe o seu coração, nem tenham medo" (João 14.27 - NVI).

*Anna May Radke Waters  é casada, tem oito netos e duas bisnetas. Anna é uma secretária aposentada.

Devocional Meditação da Mulher - Declaração de Amor - CPB