terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Meu caderno especial


"Deem graças ao Senhor, porque Ele é bom. O Seu amor dura para sempre!" Salmo 136:1


*Maria Gabriela Acosta de Camargo

Quando passamos por momentos tristes na vida, é confortador nos lembrar  de como lidamos com eles no passado. Essa é a razão pela qual tenho um caderno especial, no qual anoto todo pedido que faço a Deus. Se Ele me responde, eu o escrevo no mesmo dia em que isso acontece. Também escrevo palavras de gratidão e louvor ao Senhor, quando Ele me dá coisas que não pedi, mas que em Sua misericórdia Ele providenciou. Muitas vezes, releio isso em silêncio e instantaneamente me sinto confortada. É meu tesouro especial.

Um episódio especial que registrei foi quando eu queria lecionar na faculdade de odontologia em minha cidade. Enviei meu currículo à pessoa encarregada do departamento. Depois de lê-lo, ele disse que me chamaria, porque o considerou excelente. Três vezes, em ocasiões diferentes, fui chamada para entrevistas. Sempre recebia a mesma resposta: "Entraremos em contato."

Depois da última reunião que tivemos, fiquei muito desapontada. Sabendo que esse sentimento não era saudável, decidi esvaziar o coração com meu melhor amigo, meu Senhor, pedindo que fizesse a Sua vontade. Escrevi isso em forma de carta, explicando o que sentia e o que esperava. Especificamente escrevi que aquela havia sido minha última vez lá para uma entrevista. Se eles me chamassem para trabalhar, eu iria. Caso contrário, não iria mais.

De modo surpreendente, aconteceu. Saí do país para os feriados do Natal e, ao retornar, depois que o avião pousou, liguei o telefone celular. Tinha três mensagens da universidade, dizendo que precisavam de mim com urgência. Estupefata, eu disse: Ah, Senhor, quão surpreendente és! E minha alma o sabe muito bem!

Naturalmente, naquele dia, escrevi de imediato em meu caderno o testemunho de uma resposta do meu Deus, o mesmo Deus que ouviu seu povo no deserto. Senhor, louvado seja o Teu nome sempre!

Muitas vezes, ouço minhas amigas dizerem que, após orar, elas acham que Deus não as ouve. Eu as incentivo a providenciar um caderno e a  anotar todas as necessidades que elas têm, apresentando-as ao Senhor. À semelhança do povo de Israel, nós nos esquecemos de quão tremendo é o Deus a quem servimos! Essa é uma forma especial de conservar na memória todas as dádivas recebidas. 

*Maria Gabriela Acosta de Camargo mora na Venezuela, onde tem sua clínica de odontopediatria, e também leciona Odontologia na Universidade de Carabobo. Na igreja, dirige o departamento de música. É casada e tem dois meninos.

Mantendo a palavra

<<As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na Tua presença, Senhor, rocha minha e redentor meu!>> Salmo 19.14


*Rose Thomas 
Nem sempre mantenho minha palavra. Na verdade, já decepcionei outros e a mim mesma inúmeras vezes, porque deixei de cumprir minha palavra.
Alguns anos atrás, uma preciosa amiga e eu havíamos ido fazer a interpretação na linguagem dos sinais, num programa à tarde. Interpretamos juntas e, após o programa, ela me conduziu até à entrada da rodovia interestadual que eu precisava tomar para voltar para casa. 

Mais tarde, naquele mês, me lembrei dela e prometi a mim mesma que lhe telefonaria em seguida. Desejava expressar meu agradecimento a ela, por ter sido tão gentil e bondosa. Adiei o telefonema. Então, ela morreu, repentinamente. A culpa e a vergonha que carrego só têm sido aliviadas pela misericórdia de Deus, mas o remorso continua... talvez para lembrar-me de cumprir o que prometo.

Certa vez, meu esposo dependia de mim quanto ao licenciamento do carro, já que tenho feito isso há anos. Um ano, simplesmente adiei a renovação do licenciamento do carro do meu esposo, mesmo depois de ele ter me lembrado e avisado que poderia correr riscos. Ele teria cuidado do assunto com toda disposição, mas lhe garanti que eu me encarregaria, pois o prazo ainda não estava vencido - ainda havia tempo, disse eu para mim mesma. Mas não tomei as providências.

Um dia, meu esposo foi parado e multado pelo licenciamento vencido. Mais uma vez, a graça de Deus e a compreensão do meu esposo me abrigaram, enquanto eu continuava a me desprezar. Quando é que eu aprenderia a lição? Em Mateus 5.37, Jesus diz: "Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do malígno." A lição para mim é: Não diga que você fará algo, ao menos que realmente vá fazê-lo.

Mais e mais, sinto a doce voz do Espírito apelando para que eu cumpra a palavra para os outros e para mim mesma. As pequenas coisas que negligencio fazer resultam, com frequência, numa enorme e horrível culpa, vergonha e inconveniência aos outros. Assim, tenho sempre orado: Querido Senhor, que as palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na Tua presença.

*Rose Thomas é casada, e mãe de dois filhos. Tem prazer em lecionar num centro educacional em Longwood, Flórida.

A Lista - Oswaldo Montenegro

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...

Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...

Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?

Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?

Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?

Quantas canções que você não cantava
Hoje assovia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?









domingo, 28 de dezembro de 2014

Eu, Escritor

Sempre gostei de escrever. Quando eu era pequeno, costumava a criar histórias e adorava quando os professores me pediam para fazer redação. Eram nessas horas que podia colocar toda minha criatividade e imaginação no papel. Talvez por esta causa eu não gostasse que me dessem temas. Eu queria fazer meu próprio tema. Queria ser livre e escrever o que viesse em minha mente.

Entretanto, com toda essa imaginação e sede de colocar algo no papel, eu possuía alguns problemas literariamente sérios. O primeiro, muito comum era oposição entre querer escrever um livro e não conseguir sair da segunda página. Não foram poucas as vezes em que pus a mão no lápis, separei um bloquinho de papel e não consegui sair da introdução. O velho problema de milhões de ideias e nenhuma expressão. Eu tinha o começo e o fim, mas não havia desenvolvimento.

O segundo problema, mais sério que o primeiro também me era muito contraditório. Vejam vocês, eu que adorava escrever, não tinha o hábito de ler. Pegar um livro para mim já não era fácil. Terminar um livro era quase impossível. Eu não tinha interesse, nem concentração e enfim, mas uma vez eu caia no problema de não conseguir prosseguir em nada que eu começasse.

Outros problemas como falta de experiência, falta de vocabulário e repetições desnecessárias de palavras no texto se mostravam menos graves e compreensíveis, já que eu não tinha nem dez anos. O que eu não sabia era que todos os meus problemas poderiam ser consertados com apenas duas atitudes: Habituar-me a ler e prosseguir escrevendo a todo o custo.

Foi com dez anos, então, que meu quadro começou a mudar. A minha mãe me contou a história de um homem chamado Robson Crusoé. Um náufrago que viveu anos em uma ilha e tal e tal. A história me interessou tanto que na mesma semana passei na biblioteca da escola e procurei o livro desta. Por sorte encontrei. Ao abrir aquele livro, eu não sabia, mas abria uma nova vida.

O suspense do livro, a vontade de saber o que iria ocorrer, a aventura, o mistério, tudo me fez prosseguir. Ao terminar aquele livro a minha mente se abriu em várias partes. Partes que queriam saber mais. Viajar pelo mundo das letras que carregavam suspense e aventura, mistério e ação. A biblioteca virou minha segunda casa. Em um ano, eu que não lia, li vinte livros. Quase dois por mês.

E minha mente não parou de se expandir. Ganhei um pouco mais de vocabulário, passei a escrever melhor e minha sensibilidade se desenvolveu. De início foram só mistérios, mas logo vieram os romances, os livros sociais e por fim o livro que deu o ponta pé inicial para que eu começasse uma transformação para escritor: A Bíblia.

Um livro que para muitos significa apenas um punhado de histórias antigas e complicadas, mostrou-me um vestígio de sua sabedoria. Chamou-me a atenção, primeiramente a verdadeira poesia apresentada no primeiro capítulo do Evangelho de João, em que Jesus é apresentado como o verbo. O verbo, que é o centro das orações, a palavra que define todos os mecanismos de um período.

Quis usar aquele verbo, o mais importante verbo e conjugá-lo em minha vida. Tomei, mais uma vez a caneta e com meu bloquinho me pus a escrever, aglutinando as diferentes visões, porém únicas, dos quatro evangelistas da Bíblia Sagrada. E como me impressionei com a tamanha sabedoria que Jesus utilizava em sua vida! Pessoa simples, mas que falava e agia como ninguém. Jamais vi alguém que pudesse discutir com tanta calma, sem o uso de palavras torpes e com certeza de tudo o que dizia. Um homem que mostrava sabedoria com a mesma facilidade que qualquer homem mostraria sua insensatez.

E me apaixonei por aquele maravilhoso amor, capaz de perdoar meretrizes e assassinos, por ver que seus corações estavam cheios de arrependimento sincero. Sim, eu já era cristão. Eu e minha família. Mas foi ali que realmente comecei a descobrir quem era o Jesus de quem tanto me falavam, porém eu conhecia superficialmente. E cada palavra que eu lia e escrevia, me tornava mais apto para me expressar.

O verbo se fez texto em meu viver. A oração me levou para mais perto de Deus. Aquele período simples tornou minha vida composta de palavras. Palavras que me foram ponte para crescer cada vez mais.

O livro terminou. Não era nenhuma grande obra. Nem mesmo continha as minhas palavras. Era mais uma monografia infantil sobre os evangelhos. Não houve estilo meu naquele livro. Eu não tinha estilo. Mas o meu estilo se formou ali, no fim daquele livro.

Entremeando a Bíblia e os livros de mistérios que não me deixavam parar de ler ganhei minhas primeiras fontes firmes de expressão: Poesias e textos. Era o que eu sabia fazer. Assim, fui ganhando o reconhecimento dos que estavam a minha volta e a frase: “Você vai ser escritor” chegou com mais frequência aos meus ouvidos.

Com treze anos, a conquista. Conquista de quê? A conquista do meu próprio reconhecimento. Por mais que eu gostasse de escrever a minha alma gritava: “Tu não terminas o que fazes!”. Claro que não há problema em um adolescente de treze anos não conseguir escrever um livro próprio. Disso eu sabia. Mas quando eu contava todo o estoque de ideias inacabadas a pergunta me atingia como uma bala de fuzil. Eu não me considerava um escritor. Contudo, o projeto que eu carregava há uns dois anos, tendo mudado o enredo mais de quinze vezes, nunca saindo da introdução, foi colocado no papel de uma maneira diferente. Busquei a ideia inicial e prossegui, sem me importar se estava bom ou não. O desafio era passar da segunda página. E também retomei outro, ainda mais antigo, do qual eu nem me lembrava mais. O resultado? Dois livros prontos e a felicidade saber que sim, eu era um escritor.

E os evangelhos? Bem. Ainda fazem parte dos meus projetos. A mesma coisa que fiz quando ainda não tinha estilo, farei, mas incrementado, literário e romântico. Sim, um romance. Sem nada modificar, a história de Jesus é um romance. O romance que modificou a minha vida. Um romance real.

E quanto ao meu estilo? Meu estilo é diverso. Tudo o que li desde que descobri a leitura, formou o meu estilo. Tudo o que li, tudo o que vi, tudo o que senti. E não só os livros, mas o mundo em si. Porque o sábio tira proveito de tudo. Um filme, uma música, um clipe, uma história, um fato, um desenho, uma imagem, uma tela, um quadro, um quarto bagunçado... E é nessa união das pequenas coisas que podemos, então, pôr para fora algo que de alguma forma contribua para a vida das pessoas e nos faça mais felizes.

Escrevo mistérios e suspenses, aventuras e ação, romances e ficção. Escrevo e misturo tudo. Faço rir, faço chorar, emociono, mostro os sentimentos, faço o real. Pelo menos tento. Pois o bom é poder ver alguém se identificando com um personagem que durante horas e horas afim você se dedicou a criar. Um personagem que passa a fazer parte da vida da pessoa e lhe ajuda a enfrentar o problema que os une. Isso é o que faz um autor feliz.

E Deus está lá, em cada capítulo, em cada parágrafo, em cada linha. Então, minha literatura é cristã? Não. Minha literatura é diversa. Meu estilo é diverso. Qualquer um pode ler e retirar algo que lhe faça bem. Mas Deus está lá. Sempre estará.

Sou sábio? Não sei se sou. Acho que sim. Mas o que sei é que todo sábio sabe que nada sabe perto do que existe para saber. Pergunte a um sábio de oitenta anos se há algo que ele necessite aprender. Ele responderá: “Sim. Sempre haverá”. É assim que eu também julgo. Há muito que aprender e a cada dia devo buscar ser melhor. Não melhor do que alguém. Isso não é uma disputa. Mas ser melhor hoje do que fui, no dia de ontem. Aí está a sabedoria e também é isso que me faz feliz.

Relembro um lance da vida, há muito passado. O autógrafo que recebi de um autor no lançamento de seu livro. Seu nome era André Pereira, lançando o livro infantil A Independência do Brasil. Eu, pequeno, cursando a terceira série, esperava impaciente na enorme fila indiana de estudantes. Chegando a minha vez, o escritor me olhou. Algo nele me fez achar que eu já lhe conhecia, porém não sabia de onde. Sorriu e perguntou:

- Qual é o seu nome, amigo?

- Davi. – Respondi, devolvendo o sorriso.

Ele abaixou a cabeça e ditando o que ia escrever, assinou com caneta preta a dedicatória que anos depois reparei no sentido de sua mensagem. A dedicatória dizia:

“Davi, o outro Davi foi profeta. E você? O que será?”, e terminava com “O amigo André Pereira”.

A pergunta ressoou na minha mente sem muito vigor. Como uma criança de oito anos ia saber o que seria? E passada a euforia de ganhar um autógrafo, eu esqueci a dedicatória em um canto do meu quarto. Oito anos depois deparei-me com a lembrança e a pergunta voltou a ressoar em minha mente. “E você? O que será?”. Mas desta vez eu tinha a resposta. Sorri e expressei com gratidão:

- Escritor. Eu serei um escritor.


***

Davi Caldas, escritor. (Do Blog Mundo Analista)

(Texto escrito em 2010)



sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Escolhas de Vida




Por  Nelson Bomilcar

Nossas escolhas provocam resultados a curto, médio e longo prazo. Prazos que, aliás, nunca sabemos de fato, já que a vida, segundo um escritor bíblico, é como a neblina que por um instante existe e logo se dissipa. A existência humana é curta e efêmera, com o que concordam filósofos, religiosos e pensadores de todas as épocas. A vida requer significados e propósitos para que seja justificada e, de fato, desfrutada no melhor que pode oferecer.

Fazer escolhas, talvez, seja o exercício racional e emocional mais intenso e constante durante nossa jornada como seres humanos. É experiência cotidiana da qual não podemos fugir e não temos como negar. Na infância, recebemos de pais ou responsáveis as referências que tendem a nos acompanhar pela vida afora. A partir dali, o que escolhemos e plantamos trará consequências que irão escrever nossas histórias. Deus já as conhece no tempo e espaço, mas não nos poupa ou priva de tomar as decisões que nos levará ao crescimento como seres humanos e como pessoas, para que vivamos uma fé adulta e responsável.

Fomos criados com consciência, com um mínimo de senso de certo ou errado – como Paulo esclareceu à igreja de Roma –, que ora nos acusa, ora nos absolve. Esta consciência sensibilizada pela ação do Espírito Santo em nós é que nos dá a compreensão do pecado, da justiça e do juízo; do bem e do mal. Ela traz para cada ser humano a capacidade de entender e discernir a vida no seu sentido espiritual e existencial mais profundo, que influencia nossas decisões e os relacionamentos que vamos construindo na família, na profissão, na vida em comunidade e na sociedade.

Para fazer boas e significativas escolhas, precisamos construir uma espiritualidade com raízes, alicerces bem construídos, feita com sabedoria que vem do alto e que está disponível a todos, dada liberalmente por Deus: um Deus que se apresenta, que se revela, que se relaciona, que deseja comungar conosco e partilhar com intimidade e amizade nossa existência. Isso traz repercussões éticas, morais e espirituais em nosso dia a dia, fazendo que o que somos e realizamos repercuta em nós, na nossa família, nas nossas atividades profissionais, em nosso ministério e na sociedade onde vivemos.

Escolher seguir o Deus triúno é a primeira boa escolha, reconhecendo nossa incapacidade de corresponder ao seu amor e conduzir nossa vida refletindo seu caráter, já que compartilhou conosco sua imagem e semelhança. Sem ele, não conseguimos manifestar sua glória, e nada podemos ser e fazer de forma a agradá-lo, principalmente por causa de nossa natureza caída e da nossa desistência de levá-lo a sério, vivendo inicialmente para nós mesmos. Escolher a Cristo como Senhor, Salvador, pastor e amigo é, também, uma escolha vital e inteligente, com repercussões no presente e na eternidade. Conhecer seu Evangelho e sua vontade para nós, como seres humanos, vivendo uma vida de fato significativa e relevante perante o próximo, deixará boas e profundas marcas, cuja magnitude jamais conseguiremos avaliar no todo.

Escolher valorizar a família e sua preservação em aliança, em amor e em perdão, mesmo com todos os fortes ventos contrários e lutas do caminho, é e será sempre uma escolha sábia, madura e com visão de futuro. Por outro lado, não valorizar a família e os absolutos inegociáveis de Deus – verdade, justiça, dignidade, amor e retidão –, é engano que trará tristeza, ruína e morte.

Escolher fazer o bem e o que é certo aos olhos de Deus, isto é, diante de sua Palavra revelada, do Verbo que se fez carne, do Cristo que se identificou conosco como homem, e com todas as implicações radicais de sua mensagem, será uma escolha correta, fascinante, desafiadora e abençoadora. Não nos arrependamos de fazer o bem e o que é certo para Deus; confirmaremos, assim, que estamos dispostos a amá-lo em primeiro lugar, amando ao próximo como a nós mesmos.

Escolhamos, sempre, os caminhos e valores que promovam a vida! Com nossas boas e corretas escolhas, podemos viver com alegria, esperança, profundidade e rico significado, abençoando aos que nos cercam numa saudável dinâmica comunitária. Assim, alinhamos o que somos e fazemos dentro da missão de implantar o Reino de Deus, ajudando as pessoas a seguirem, servirem e amarem o Mestre e doador da vida.

***

Fonte: Cristianismo Hoje

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014


Recordações da cadeira de balanço


Quando me deito lembro-me de Ti; penso em Ti durante as vigílias da noite. Porque és a minha ajuda, canto de alegria à sombra das Tuas asas. Salmo 63:6,7



*Edna Maye Gallington
O calor das brasas que se apagavam atingia cada canto da sala. Luzinhas antiquadas brilhavam na árvore de Natal. Com os pés confortavelmente acomodados sobre o escabelo, meu esposo me puxou par um aconchego apertado. Tigelas que antes fumegavam com creme de milho, estavam vazias na mesinha ao lado do sofá. O fim de semana de natal em nosso chalé favorito na montanha, acabaria no dia seguinte, ao voltarmos para a cidade.

- Conte para mim a história de seu Natal favorito - pediu meu esposo.
- Bem, a tradição familiar  incluía minha irmã casada e sua família, ao comemorarmos cada Natal na velha hospedaria da Missão, em Riverside, Califórnia. Lembro-me dos lustrosos pisos de madeira de lei e da decoração inglesa antiga, e especialmente do creme de cebola e dos docinhos de batata-doce. 
- E o seu, como foi? - perguntei.
- Bem, como tínhamos uma casa com o teto alto, a cada Natal papai trazia uma árvore que alcançava o teto. Eu gostava muito daquelas árvores - a não ser a de um determinado ano. Naquele ano, papai trouxe para casa uma árvore com a metade do tamanho das outras. Enquanto os olhos de oito anos inspecionavam aquela árvore, o Natal ficou arruinado! Corri para o quarto e inundei os olhos com lágrimas. Por fim, mamãe persuadiu  papai a levar a árvore de volta e trazer a tradicional árvore gigantesca. Para mim, o Natal virou Natal de novo.

- Você se lembra de outro Natal? - perguntou ele.
- Sim, quando mamãe abriu um saco de farinha  encontrou um livreto com receitas de biscoitos natalinos. Ela e eu passamos uma tarde inteira assando os biscoitos de todas as receitas. Minha receita preferida foi a de estrelas  feitas com crosta de torta, polvilhada com açúcar. Ainda conservo esse livreto em algum lugar.

Recordações. Andamos em carreira desabalada pela vida, esquecendo-nos das lembranças que já nos encheram de alegria o coração. Recordações da cadeira de balanço, como as chamo.
Que tal encher a mente com belos pensamentos e belas recordações? Saboreie essas experiências!

*Edna Maye Gallington  deixou de lado os prazos fatais de uma carreira em relações públicas, para escrever no quintal de sua casa, no sul da Califórnia. É autora de um livro sobre 24 mulheres bíblicas que contam suas histórias. Está trabalhando num livro devocional e num infantil, e gosta de passar tempo lendo a Bíblia.





terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Melodia na floresta de inverno


"Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, [...] e Ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Ele estenderá o Seu domínio, e haverá paz sem fim". Isaías 9:6,7


*Jaimée Seis
É véspera de Natal. E eu gostaria de estar em algum lugar distante, no bosque, onde pudesse haver paz. Talvez ali eu escapasse de toda correria natalina, que muitas vezes se concentra em comprar presentes caros. Se o Natal significa paz, não posso senti-la nesta noite chuvosa e fria. O culto da igreja  terminou, mas onde está a paz?  Enquanto volto a pé para casa, eu me pergunto: Pai, por que não fazê-lo? Por que não posso ir contigo par uma caminhada noturna no bosque?
Nos últimos dias, a chuva derreteu quase toda a neve, e a temperatura é a de um dia normal de inverno. Provavelmente não cairá neve. Em casa, visto rapidamente roupas mais quentes e, alguns minutos depois, deixo para trás de mim as luzes da rua da vila; a noite me envolve com seu mundo azul-escuro. Por campos e pradarias caminho em direção ao silêncio. As árvores margeiam os dois lados da minha vereda; os ramos sem folhas traçam um delicado desenho contra o céu. A distância, a floresta parece um muro preto, mas quando o alcanço, posso distinguir a silhueta de cada árvore, como recortes escuros. Quando entro nela, a floresta parece me abraçar com um casaco protetor, e a paz me enche o coração, tão suavemente quanto a brisa que sussurra entre os galhos.
Pai, esta é uma noite de lembranças especias- uma noite que me lembra novamente Teu maior milagre. Com humildade, o Criador do Universo abraçou a humanidade e Se tornou visível, deitado na manjedoura. Nasceu um Bebê, não reconhecido pelo mundo, mas que era Deus deixando a eternidade para vir até nós. Muito possivelmente, jamais entenderemos tal coisa por completo. Seu amor abundante deu tudo, deu a Si mesmo, a fim de unir o Céu com a Terra , e Ele mesmo conosco.
Dou um profundo suspiro, porquanto a paz habita novamente em meu coração. E já é quase meia-noite, hora de ir para casa. Penso no calorzinho que me receberá ali e no aroma da vela perfumada que enche a sala com a fragrância de rosas. 
"Soou em meio à noite azul, um hino divinal; jamais com tal beleza assim, ouviu algum mortal. Do Céu ao mundo, graça e paz! Excelso dom gentil! Dos anjos essa doce voz encheu o céu anil."

*Jaimée Seis nasceu em 1964, na Alemanha; já era feliz nos dias da infância, por saber que Jesus estava com ela, portanto, queria que outros também conhecessem a Deus como Pai amoroso. Tem escritos artigos e livros a fim de tornar conhecido o Seu abundante amor.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014


Gratidão...


Tenho medo de gente rasa







Tenho medo de gente que olha o céu só pra ver chuva, de quem olha pedra como se, dos caminhos, ela fosse a tortura.

O melhor tipo de gente são os encantados. Esses olham para o céu e veem o mar na contra-mão, um poente de horizontes, fonte de todos os azuis.


Luciana Leitão (Lu)

domingo, 21 de dezembro de 2014

Conselhos de quem ainda está a aprender:








"Apressa-te. Mas com leveza, para que não percas - de vista - a Vida.
Não tentes agarrar as horas, pois essas são líquidas. E azuis.
Reinvente seus caminhos. Risque os mapas.
Percorra-se.
Encontre outras riquezas que não ouro.
Desenhe o riso, mas sem perder a capacidade do choro.
E mesmo quebrando-se, não desista. A vida recomeça todas as manhãs".
Luciana Leitão (Lu)









Sou Poema




Nasci amor  incontido,
Dito em palavras.
Ou no silêncio. 
Levo a ternura nos olhos,
E o encanto no riso. 
Há de se fazer viver e dançar todo caminho que outrora fora triste.
Porque também sou esperança. 
Sou poema.
Poesia de Quintana. 
Sou a voz de Caetano,
E o olhar doce de Drummond. 
Sou a vida em sua forma mais doce.
Sou a saudade em sua forma mais terna.

Luciana Leitão (Lu)