segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Compaixão e Generosidade, da Literatura Para a Vida

Compaixão é ter a capacidade de se colocar no lugar do outro e de sentir a sua paixão, a sua dor. É compreender o estado emocional daquele que padece e, em outras palavras, enxergá-lo.
A generosidade é a virtude de acrescentar algo ao outro, de partilhar, de deixar um pouco de si para preencher o que falta na outra pessoa. São complementares. Filhas do amor. Irmãs da bondade. A literatura é rica em personagens que nos desconcertam pelo onírico concerto de afinar o mundo.
Um dos meus livros preferidos da literatura universal é "Os miseráveis", de Victor Hugo. Uma obra recheada do melhor fermento de sonhos e canções de vida em um mundo destroçado por guerras, autoritarismos e violência.
A obra, composta de cinco volumes, foi publicada quando Victor Hugo tinha 60 anos, mas o fio da narrativa começa a germinar quando, aos 22 anos, o jovem escritor se incomoda com a situação dos prisioneiros da colônia penal de Toulon, de onde saíam os remadores para os trabalhos forçados nas galés, onde remavam com os pés atados em correntes. Tristes cenas. Restos humanos lambuzados de humilhações e dor.
O tema social, a miséria dos excluídos, marcou a trajetória política e literária de Victor Hugo. Charles Dickens já havia mostrado uma Inglaterra diferente das cortes. Sua denúncia chegava aos que viviam invisivelmente nos submundos de Londres.
Victor Hugo faz o mesmo em "Os miseráveis". Dramas chocantes de mulheres e homens alijados de bens materiais e de amparos humanos.
A personagem central é Jean Valjean, órfão de pai e de mãe, que foi criado por uma irmã mais velha que tinha sete filhos. Quando ela enviuvou, o menino Jean passa a ser o homem da casa. Em um dia, desesperado, sem ter dinheiro para comprar pão para a irmã e para os seus filhos, Jean furta um pão, o que lhe rende dezenove anos de prisão (cinco pelo pão e quatorze por tentar fugir). Jean passa sua juventude na prisão.
Quando, enfim, deixa o cárcere, perambula por vilarejos em busca de trabalho. É humilhado e temido por ser considerado um bandido perigoso. As portas se fecham na frieza de uma sociedade que não tolera erros alheios, embora seja farta de erros próprios, escondidos. Na sarjeta do abandono, um homem o acolhe, o Monsenhor Bienvenu (que significa bem-vindo). Ele o retira das ruas e o traz para casa para que tenha uma refeição decente e uma cama limpa para dormir. Jean come como um bicho esfomeado e fica arredio. Não acredita que alguém pudesse ser, com ele, generoso. Compaixão, ele certamente só conhecera nos idos da infância quando a irmã o acolhera.
Durante a noite, resolve furtar o Monsenhor. Recolhe o que estava à vista e sai pelas ruas frias de uma noite angustiante. É preso e os soldados o trazem para a casa do Monsenhor para que devolva o que ele furtou. Jean sabia que ficaria o resto da sua vida na prisão. Seria agora um reincidente. Se já era considerado um homem perigoso por ter furtado um pão para alimentar os sobrinhos, imagine agora que teve a ousadia de furtar um homem que lhe dera abrigo, que lhe dera alimento e conforto. Um homem importante.
Jean está apavorado, amarrado, humilhado pelos guardas quando chega a casa do Monsenhor. Percebendo a situação, o Monsenhor agradece o trabalho dos guardas, mas diz que a prataria que o homem carregava não fora objeto de furto, mas de um presente que ele havia lhe dado. Jean arregala os olhos, desconcertado com a bondade do Monsenhor que pega mais algumas peças que, supostamente, Jean havia "esquecido". "Use a prata para se tornar um homem honesto", foi o que Jean Valjean ouviu daquele homem e o que remoeu para sempre em sua consciência.
Aqui, nesse ato de compaixão, dá-se a transformação de muitas vidas. A de Jean Valjan e a de todos os que, posteriormente, foram abraçados por sua generosidade.
Da compaixão, nasce uma nova história
A compaixão é um sentimento essencial da convivência. Olhos de ver. Paciência. Tempo de silêncio para que a voz do outro tenha alguém onde depositar sua necessidade. Tempo de fala para que o silêncio do outro não se transforme em solidão. Presença que ameniza ausências. É como estar no deserto da dor e ver surgir o cortejo da esperança.
Foi assim que floresceu um novo homem. Quem é Jean Valjan? Depois de conhecer o Monsenhor, é um homem sempre pronto para revelar a nobreza dos sentimentos.
Há muitas outras personagens e tramas nesse enredo fantástico de Victor Hugo. E a generosidade de Jean permeia todos os núcleos dessa narrativa. Há uma mãe solteira, Fantine, que fora abandonada pelo homem que tanto amou e que confia a criação de sua filha a um casal que, aparentemente, proporcionaria mais conforto em sua criação. Ela trabalha para pagar esse casal. Para que cuidem bem de sua filha. Somente para isso. Imaginem o que era ser mãe solteira naquela época. A filha, Cosette, na verdade, vive frágil e assustada, porque é maltratada. Mesmo assim, canta ela a canção da esperança. Quando Fantine morre, Cosette é criada por Jean Valjan até se casar com o idealista Marius Pontmercy, um jovem que sobrevive ao sonho e à utopia de destronar o rei. Aliás, a narrativa de "Os miseráveis" ocorre entre dois episódios históricos: a batalha de Waterloo e os motins de junho de 1832, em que jovens morreram sonhando com um mundo sem privilégios nem preconceitos.
A obra é extensa, mas há um filme recente, de 2012, dirigido por Tom Hooper, que é fiel a essa linda história. Um elenco de peso com atuação irretocável: Hugh Jackman, Russell Crowe, Amanda Seyfried, Samantha Barks, Anne Hathaway, Eddie Redmayne, entre outros.
Outros filmes e peças de teatro no mundo inteiro mostraram a ousadia de Victor Hugo em revelar a miséria humana, o abandono, a saga dos invisíveis e, mesmo assim, alimentar-nos de esperança. No final, a canção de uma vitória que não cabe nesse mundo.
Jean Valjan aprende com o lindo gesto do Monsenhor e transforma sua vida em uma vida capaz de cuidar de outras vidas. Até mesmo diante de seu maior perseguidor, o inspetor Javert, consegue ser generoso, compreende as amarras que o impedem de entender o verdadeiro sentido da justiça. Javert se desconcerta frente ao olhar compassivo do homem que ele perseguiu a vida toda. “Ninguém pode ser tão bom quanto Jean Valjan”, rumina ele. Pode sim, especialmente se tiver em seu caminho um Monsenhor Bienvenu.
Bem-vindas a compaixão e a generosidade neste início de mais um ano. Incomodemo-nos com o aprendizado que a literatura nos proporciona. E que mais livros nos aqueçam e ampliem o nosso repertório e a nossa capacidade de contemplar e de transformar o mundo. Feliz 2015.

Por: Gabriel Chalita (Fonte: Diário de S. Paulo)  04/01/2015








Ipês...















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Ipês




<A manhã está do jeito como eu gosto. Céu azul, ventinho frio. Os ipês-rosas floriram antes do tempo. E não existe coisa mais linda que uma copa de ipê contra o céu azul. Queria perguntar aos ipês das razões do seu equívoco. Será que, por acaso, não possuíam uma agenda? Pois, se possuíssem, saberia que floração de ipê está agendada somente para o mês de julho. Qualquer um que preste atenção nos tempos da natureza sabe disso. Responderiam citando Angelus Silesius, que dizia que as flores não têm porquês; florescem porque florescem...>  Rubem Alves
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A Urgência de Viver


A matemática da vida não é simples. Cada soma é também uma subtração. Quando somamos mais um ano àqueles que já vivemos, subtraímos um ano aos que nos restam para viver e aí percebemos que o tempo voa e a vida passa. Nesse momento sentimos a urgência de viver.
Mas a verdade é que esperamos demais para fazer o que precisa ser feito.
Lamentamos que a vida é curta, mas esperamos demais para dizer as palavras de perdão que devem ser ditas, para colocar de lado os rancores que devem ser esquecidos, para expressar gratidão, para dar ânimo, para oferecer consolo.
Esperamos demais para sermos pais dos nossos filhos pequenos ... e é tão depressa que a vida os faz crescer e irem embora.
Esperamos demais para dar carinho aos nossos pais, irmãos e amigos, esperamos demais para ler livros, ouvir músicas e enriquecer nosso espírito... esperamos demais para demonstrar amor!
Esperamos demais nos bastidores, quando a vida tem um papel para desempenharmos no palco.



Borboleta parece flor que o vento tirou pra dançar. (Fernando Anitelli)





Nem sempre um dia triste termina em tristeza. Quase sempre há brechas para um recomeço, ou um fim que resultará em algo melhor...




Somos do tamanho  do nosso sonho? 
Não. Somos do tamanho da nossa fé, 
da nossa determinação e da nossa 
persistência. 




"O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.

Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.

Digo o que penso, com esperança.

Penso no que faço, com fé.

Faço o que devo fazer, com amor.

Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende"

Cora Coralina








Saber Calar

Alguns calam-se por timidez, 
outros por lhes faltarem as palavras, 
há ainda os que se calam para ouvir melhor 
ou para admirar uma obra de arte. 
Há também os que se calam 
por se reconhecerem diante de um mistério. 
Enfim, há sempre um ou outro motivo que oriente o ato de calar, 
no entanto, mais do que se possa imaginar, 
o silêncio é pleno de significado 
e está sempre comunicando algo... 
 enviando uma mensagem. 
O ato de "calar" é um comportamento que comunica, 
pois, ao contrário do que se possa pensar, 
é impossível ao ser humano não comunicar... 
inclusive no silêncio. 
Tanto um grande e eloquente discurso, 
como uma greve de silêncio, passam uma mensagem. 
O ato de falar e o de calar precisam um do outro, 
pois quem fala quer ser ouvido, 
e para ouvir é preciso calar. 
Alguém que se cala diante de um outro que fala, 
pode assumir este comportamento por diferentes razões... 
"interesse pelo assunto", "timidez", "fuga de conflitos", 
"falta de disposição para a conversa", etc. 
Se formos perspicazes e atentos a esta mensagem
 que nos passa o ouvinte, 
poderemos assumir um novo comportamento, 
se percebermos que isso é o melhor. 
O silêncio não é ausência, mas plenitude de comunicação. 
Devemos evitar o silêncio negativo do mau-humor, 
da agressividade, do desgosto, da raiva. 
Devemos evitar o silêncio diante da injustiça.
 São silêncios que não agradam a ninguém. 
O silêncio só é válido quando é escuta, amor. 
Quando é amor, o silêncio fala. 
Quando é desamor, o silêncio agride. 
Arrisquemo-nos, pois, nesta arte de calar por amor. 
Mesmo se até hoje demos motivos não muito positivos ao ato de calar, 
é sempre tempo de recomeçar!
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Tenho silêncios,
 Embrulhados em segredos.
 Silêncios mudos,
 Que se lêem em meus olhos.
 Silêncios cúmplices,
 Partilhados
 Entre confidências e quimeras.
 Mas os meus prediletos,
 São aqueles que me provocam
 Sorrisos na alma ...

Bruno de Paula



Te Vejo


Fiz dos meus Sonhos,
Campos e Jardins
Dos Pensamentos uma Janela,
De onde te vejo passar
E a saudade calar.

Bruno de Paula Campos Jr.

Cuide bem de você. Do que você sente, do que você faz, do que você vê e agrega. Cuide dos seus, avalie a sua importância. Tome conta de si, reajuste-se, pergunte-se. Inclua o necessário. Desligue o menos importante. Abra mão quando for preciso. Aumente a beleza do verbo permanecer. Descuidos são nocivos. Ligeirezas arranham. 










A vida merece atenção. Se houver pressa, que seja para  SER FELIZ!





Conserve o bem que você tem. Esqueça o que dói. Perdoe os que te feriram. Desfrute dos que te amam. Uma pessoa feliz não tem tudo de melhor, ela torna tudo melhor.